segunda-feira, 18 de maio de 2015

Kaleidoscope - Kaleidoscope

Banda: Kaleidoscope
Disco: Kaleidoscope
Ano: 1969(*)
Gênero: Garage Rock, Psychedelic Rock
Faixas:
1. Hang Out (2:20)
2. P.S. Come Back (2:10)
3. A Hole In My Life (2:33)
4. Let Me Try (3:27)
5. I Think It's All Right (2:59)
6. Colours (2:36)
7. Once Upon A Time There Was A World (8:09)
8. A New Man (2:38)
9. I'm Crazy (3:33)
10. I'm Here, He's Gone, She's Crying (2:27)
Músicas de autoria da banda.
Créditos:
Francisco Tirado: Bass, Vocals
Rafi Cruz: Drums
Orly Vásquez: Guitar
Pedrín García: Guitar
Julio Arturo Fernández: Organ
(*) CD lançado em 2013.

Resenha:
O isolado e homônimo disco da mexicana Kaleidoscope é parecido com muitas obscuridades psicodélicas/garageiras americanas de 1967 e 1968, em sua melancolia, constantemente tocado em escala menor, misturando órgão maneirista com guitarras distorcidas. Todavia, a excentricidade ⏤ ainda que às vezes excessiva ⏤ e a espontaneidade tornaram-no mais interessante do que muitas dessas relíquias.
1O órgão realmente arrepia, vibrando às vezes como um primo distante da Doors, porém com uma sensibilidade mais bruta, adolescente. Embora soem em algum momentos melodramáticos, os vocais (todos em inglês) expressam-se com atitude, fugindo da monótona insistência bluseira da pífia autopiedade, e, aliados a um psicodélico sentido de perplexidade, conseguem colocar as canções fora do alcance das convencionais composições românticas típicas das bandas garageiras da metade dos anos 60.
2E alguns extravagantes toques psicodélicos aparecem sem aviso, como os desconcertantes sons espaciais em "Colours"; os buzinaços à la Harpo Marx na mesma faixa; a explosão atômica que encerra "Hang Out"; os inesperados e longínquos alaridos de pessoas inquietas em "A New Man"; os estranhos e curtos sons dissonantes em "I Think It's All Right", que parecem pancadazinhas num copo de vinho; e a guitarra funqueira em "I'n Crazy", retumbando a meio caminho entre um chicken-scratch (nota minha: expressão intraduzível; significa, segundo a Wikipedia, um tipo de música dançante, executada por nativos americanos do deserto de Sonoran) e uma gaveta sendo aberta e fechada, prenunciando um animado órgão. Então vem "Once Upon A Time There Was A World", de oito minutos, que ecoa como uma paródia involuntária da angústia suicida adolescente, com sua ínsita carga de tristeza sem-fim, também apoiada por um impressionante arranjo para órgão, de grandiosidade quase fúnebre (Richie Unterberger, AllMusic; tradução livre do inglês).

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