Músico:
Lou Reed
Gênero: Art Rock, Glam Rock, Hard Rock
Disco: Lou Reed
Ano: 1972(*)
Faixas:
1. I Can't Stand It (2:37)
2. Going Down (2:56)
3. Walk and Talk It (3:41)
4. Lisa Says (5:32)
5. Berlin (5:16)
6. I Love You (2:20)
7. Wild Child (4:43)
8. Love Makes You Feel (3:13)
9. Ride Into the Sun (3:17)
10. Ocean (5:03)
Músicas de autoria de Lou Reed.
Créditos:
Lou Reed: Vocals, Guitar
Caleb Quayle: Electric & Acoustic Guitars, Piano
Steve Howe: Electric Guitar
Paul Keogh: Electric & Acoustic Guitars
Rick Wakeman: Piano
Les Hurdle, Brian Odgers: Bass Guitar
Clem Cattini: Percussion
Kay Garner, Helene François: Vocal Harmonies
(*) CD lançado em 1990.
Disco: Transformer [Bonus Tracks]
Ano: 2002(*)
Faixas:
1. Vicious (2:58)
2. Andy's Chest (3:20)
3. Perfect Day (3:46)
4. Hangin' 'Round (3:35)
5. Walk on the Wild Side (4:15)
6. Make Up (3:00)
7. Satellite of Love (3:42)
8. Wagon Wheel (3:19)
9. New York Telephone Conversation (1:33)
10. I'm So Free (3:09)
11. Goodnight Ladies (4:31)
12. Hangin' 'Round [Previously Unreleased Acoustic Demo] [Bonus Track] (3:57)
13. Perfect Day [Previously Unreleased Acoustic Demo]/Transformer Radio Spot [Bonus Track] (4:50)
Músicas de autoria de Lou Reed.
Créditos:
Lou Reed: Vocals, Guitar
Mick Ronson: Guitar, Piano, Recorder, Backing Vocals
Klaus Voorman: Bass Guitar
Herbie Flowers: Bass Guitar, String Bass, Tuba
John Halzey, Barry Desouza, Ritchie Dharma: Drums
Ronnie Ross: Baritone Sax
David Bowie, The Thunder Thighs: Backing Vocals
(*) LP lançado originalmente em 1972.
Biografia:
Nome verdadeiro: Lewis Allen Rabinowitz. Nascido em 2 de março de 1942, no Brooklyn, em Nova Iorque, NY, EUA (nota minha: e morto no dia 27 de outubro de 2013, em East Hampton, NY, EUA, de complicações decorrentes de um transplante de fígado). Integrante de várias bandas na escola, Reed fez sua primeira gravação com a Shades, em 1957. Sua composição "So Blue" desfrutou de breve notoriedade após ser executada pelo influente disc jockey Murray The K, mas perdeu-se na infinidade de singles independentes lançados no período. Formado pela nova-iorquina Universidade de Syracuse, Reed conseguiu emprego como compositor na Pickwick Records, especializada em gravações manipuladas, feitas sob encomenda. Entre as músicas que compôs então, destaca-se a irônica e dançante canção "The Ostrich" (1965), que impressionou tanto a direção da gravadora que Reed formou a banda Primitives para promovê-la como um single. A Primitives também abrigava John Cale, conhecido recente de Reed, plantando assim as primeiras sementes da Velvet Underground, proeminente grupo que Reed liderou durante quatro anos (1966 a 1970), contribuindo com quase todo o seu repertório e moldando-lhe o estilo. As melodias de Reed calcaram-se, na maior parte, nos eficazes parâmetros do R&B, enquanto suas aguçadas letras apresentavam uma visão mordaz da vida urbana contemporânea.

A saída de Reed ocasionou um vácuo criativo na banda, que também o contagiou, levando-o a procurar emprego fora do cenário musical. Dois anos então se passaram até "Lou Reed", seu primeiro disco solo, ser lançado. Gravado em Londres, com músicos do Reino Unido, incluindo Steve Howe e Rick Wakeman, ambos da Yes, o álbum ostentava algumas excelentes canções (muitas das quais foram programadas para a Velvet Underground), mas prejudicou-se pela produção confusa. No entanto, a subsequente turnê pelo Reino Unido com a Tots, um grupo de adolescentes novaiorquinos, representou um sucesso artístico. David Bowie, persistente admirador da Velvet Underground, supervisionou "Transformer", que capturou um predominante clima de decadência. Apesar de irregular, o disco continha a clássica "Walk On The Wild Side", homenageando os transexuais e desajustados sociais delineados pelo artista plástico e cineasta Andy Warhol. O sucesso da canção surpreendeu, atingindo o Top 10 do Reino Unido e o Top 20 americano em 1973, mas Reed recusou-se a tornar-se refém da específica temática e retomou, em "Berlin", a faceta amargurada que o caracterizou. Trilhando o caminho do sadomasoquismo, suicídio e niilismo, o artista expurgou a recém-adquirida comercialidade e desafiou seu público com uma fórmula que poucos contemporâneos de Reed ousaram empregar. Foi um tempo, porém, marcado pela autoparódia, e, enquanto uma banda de craques, centrada nos guitarristas Dick Wagner e Steve Hunter, fornecia indiscutível musculatura a "Rock 'N' Roll Animal", gravado ao vivo, "Sally Can't Dance" mostrou um artista desprovido de sentido e propósito.

Após um segundo álbum ao vivo, Reed lançou o hermético "Metal Machine Music", um trabalho eletrônico e atonal espalhado ao longo de dois discos. Atacado pelos críticos, as vibrações sonoras mal-sincronizadas do disco têm sido saudadas desde então por prestigiados setores da comunidade vanguardista, ao passo que outros veem o álbum como uma travessura de Reed, elaborado para afastar de si, definitivamente, a hipótese de abraçar uma carreira convencional. Seguiu-se o sereno "Coney Island Baby", contendo simples e agradáveis canções, acompanhadas do indefectível charme, depois diluído em "Rock 'N' Roll Heart", uma seleção inconsequente e descuidada e, do ponto de vista artístico, desastrosa. Todavia, "Hassle Street", o disco posterior, exibiu rejuvenescido vigor, retomando a empatia do cantor com as subculturas de Nova Iorque. A faixa-título, mais tarde regravada pela Simple Minds, mostrou-se deveras impressionante, enquanto "Dirt"' e "I Wanna Be Black" apresentaram um sarcasmo ausente há muito tempo no trabalho solo do artista. Embora os discos ulteriores, "The Bells" e "Growing Up In Public", não tenham atingido dimensões semelhantes, evidenciaram uma arejada maturidade.

Reed entrou na década de 80 com uma performance mais energética e incisiva, impulsionado por uma associação muito proveitosa com o guitarrista Bob Quine (nome verdadeiro: Robert Quine, nascido no dia 30 de dezembro de 1942, em Akron, Ohio, EUA, e morto no dia 31 de maio de 2004, em Manhattan, Nova Iorque, NY, EUA), ex-integrante da Voidoids, de Richard Hell. "The Blue Mask" foi outro disco importante e definiu um padrão para o poderoso e conciso material encontrado em "Legendary Hearts" e "Mistrial". Entretanto, apesar da repercussão alcançada pelos últimos trabalhos, alguns comentaristas preferem dizer que o renascimento artístico de Reed operou-se com "New York", de 1989. Ali imperou o minimalismo sonoro, acentuando-se a pulsação rítmica das composições, focadas na escória e cantadas por Reed em formato de crônica. As letras, alternando entre o pessimismo e o cinismo, reafirmaram a chama dos seus melhores trabalhos, recuperando-lhe o poder de pintar figuras moribundas que nunca pedem nem recebem piedade. "New York" revelou-se um esplêndido retorno à melhor forma de Reed e criou um considerável interesse pelo seu pretérito catálogo.

"Songs For Drella", do ano seguinte, com participação de John Cale, serviu como inesquecível epitáfio para Andy Warhol, e o clima pessimista do disco transmitiu-se por inteiro para o soberbo "Magic And Loss", um álbum inspirado pela morte do lendário compositor Doc Pomus. Os dois discos escancararam mais uma vez a comovente regeneração do talentoso artista, que o colocou de volta à
intelligentsia do rock.
Em 1993, Reed juntou-se novamente a seus lendários colegas para uma reunião com grande pompa da Velvet Underground. Apesar da curta duração do reencontro (rumores de uma antiga rixa com Cale voltaram à tona com abundância), Reed tinha a vantagem de recolocar de pé a sua carreira solo. "Set The Twilight Reeling" apresentou o músico num clima extremamente alegre, talvez inspirado pela parceria romântica com Laurie Anderson, embora ainda fosse capaz de causar polêmica com a satírica "Sex With Your Parents (Motherfucker)". Anderson também apareceu, na companhia de outros cantores convidados, na versão
cover de "Perfect Day", de Reed, lançada em 1997 para divulgar a Rádio e Televisão BBC.

"Perfect Night" documentou um concerto no Royal Festival Hall, de Londres, em 1996. "Ecstasy" recebeu algumas críticas favoráveis, em que pese a desigualdade: muito bom em algumas faixas ("Paranoia Key Of E", "Baton Rouge") e pobre em outras, notadamente a longa (18 minutos) "Like A Possum". A primeira gravação de Reed no século XXI, um épico multimídia inspirado na obra escrita no século XIX por Edgar Allan Poe, estampou um trabalho igualmente heterogêneo. Em julho de 2004, Reed reapareceu no Top 10 do Reino Unido, graças à remixada "Satellite Of Love", do álbum "Transformer", elaborada pela equipe londrina Dab Hands.
O trabalho futuro de Reed será sempre analisado e dissecado pelos críticos de rock, jovens e velhos; afinal, ele foi (nota minha: diferentemente do texto original, colocaram-se os verbos deste parágrafo no passado, em virtude do falecimento do músico) um dos mais importantes poetas do rock da era moderna. Exerceu uma imensa influência, e sua capacidade de surpreender esteve sempre prestes a manifestar-se (The Enclyclopedia Of Popular Music. Compiled and edited by Colin Larkin. New York: Omnibus Press, 2007, pp. 1163-4; tradução livre do inglês).