Banda: Heaven
Disco: Brass Rock 1
Ano: 1971(*)
Gênero: Blues-Rock, R&B, Progressive Rock, Jazz Rock
Faixas:
1. Things I Should've Been (Harnett) 6:19
2. This Time Tomorrow (Harnett, Scott Jnr.) 5:14
3. Never Say Die (Harnett) 3:57
4. Come Back (Harnett) 5:24
5. Song For Chaos (Gordon) 7:42
6. Morning Coffee (A Theme To A Film) (Heaven) 4:58
7. Number One (Last Request) (Farr, Heaven) 4:58
8. Number Two (Down At The Mission) (Heaven) 5:40
9. Dawning (Farr) 5:13
10. Got To Get Away (Harnett) 8:53
Créditos:
Terry Scott Jnr.: Lead Vocals, Rhythm & Acoustic Guitars, Piano
Eddi Harnett: Lead Vocals, Lead & Acoustic Guitars
John James Gordon: Vocals, Electric Bass, Bass Fiddle, Piccolo Trumpet
Vic Glover: Drums, Percussion
Dave Gautrey: 2nd Trumpet, Flugelhorn
Butch Hudson: Lead Trumpet, Flugelhorn, Piccolo Trumpet
Ray King: Tenor, Alto & Soprano Saxophones, Flute, Clarinet
Derek Sommerville: Tenor, Alto & Soprano Saxophones, Flute, Trombone
David Horler: Trombone, Piano
(*) CD lançado em 2008.
Resenha:
Buscando um elo comparativo simples para contrapor-se à banda Heaven, os críticos contemporâneos optaram pelos grupos Chicago e Blood, Sweat & Tears. Bem, assim como Chicago e BS&T, a Heaven contava com um naipe de metais, de modo que, aparentemente, foi isso que determinou a aproximação das bandas, na ótica dos resenhistas. Na realidade, porém, o octeto britânico praticava um rock progressivo sem nenhum pingo de apelo comercial: uma fusão frenética de blues e R&B inspirado por rock progressivo, com inclinação pastoral e forte tendência à improvisação.
Formada em Hampton, Londres, Inglaterra, por volta de 1968, a primeira apresentação da Heaven, no Festival da Ilha de Wight, gerou pouco impacto. Mas a segunda provocou um rebuliço. A banda imediatamente assinou com a CBS e lançou seu primeiro disco, "Brass Rock 1", com capa dupla, em 1971. Contendo apenas dez faixas, a maioria com duração de cerca de cinco minutos, o álbum mostra a banda com bastante espaço para experimentação musical. O R&B roqueiro de "Never Say Die" revela-se a canção mais acessível de "Brass Rock 1", sendo responsável, provavelmente, pelas comparações com Chicago e BS&T. E é também a música menos representativa do verdadeiro estilo vanguardeiro da Heaven. Em contraste, nas canções "This Time Tomorrow" (com predomínio da flauta) e "Dawning", a banda transita alegremente pelo território de Canterbury.
"Morning Coffee (A Theme To A Film)" manifesta-se tão cinematográfica quanto seu título, percorrendo soturnas planícies da Espanha, em itinerário mais afeito à Santana. Essas são as músicas mais plácidas, pois as restantes ostentam maior arrojo. "Number One (Last Request)" é uma jornada emocionante através do blues avant-garde. Já "Number Two (Down At The Mission)" navega por um pesado R&B roqueiro, com os metais abrasando ao estilo Stax (nota minha: a Stax é uma gravadora americana, fundada em 1957 e sediada em Memphis, Tennessee, que se tornou conhecida pela influência exercida na criação da música soul, entre outros gêneros). "Things I Should've Known" trilha caminho musical semelhante, mas atrelado a uma improvisação jazzística. Entretanto, "Song For Chaos" é o ápice do rock progressivo executado pela banda, incorporando trechos de metais e solos de flauta, ao lado de um dos mais incendiários solos de trompete já ouvido num disco de rock. Brilhante! Mas a epifania do grupo ocorre com o épico "Got To Get Away".
Abrindo com um prelúdio suntuoso, a banda exibe, na faixa que encerra o disco, solos de clarinete com pitadas orientais, entrecruzados com ritmos latinos, guitarra lancinante e instrumentos de sopro funqueiros até atingir um crescendo de vozes harmônicas e esplêndidos metais. Por tudo que foi dito, comprova-se que "Brass Rock 1" é um imponente disco: mistura com mestria jazz, rock, folk e blues e percorre caminhos musicais praticamente inexplorados. Contudo, mesmo para a época, o álbum era muito ousado, e, portanto, vendeu pouco, circunstância que acabou acarretando o fim da Heaven. Agora, esse disco fabuloso foi ressuscitado e remasterizado com capricho, permitindo que os ouvintes atravessem novamente os paradisíacos portões musicais da Heaven (nota minha: no original, um trocadilho com o nome da banda: "Paraíso", "Céu", "Firmamento") (Jo-Ann Greene, AllMusic; tradução livre do inglês).



