sábado, 31 de maio de 2014

Sirius - Rising


Banda: Sirius
Disco: Rising
Ano: 1979
Gênero: Hard Rock
Faixas:
1. Runaway Bay (Todd Potter, L. Arnold, B. Smith) 3:42
2. Girl You Take Me Higher (Todd Potter) 3:57
3. No Idea (Rod Prince) 3:04
4. Best Of Me (Todd Potter) 4:17
5. Guacamole Rock N Roll (Rod Prince, Steel) 3:29
6. Girl Like You (Todd Potter) 3:40
7. Litany (Rod Prince, R. Hammond, S. Hillyer) 4:16
8. Wringin' Your Hands (George Rarey) 4:18
9. Now I'm Home (Todd Potter) 3:23
10. Smile At Me (Todd Potter) 3:22
Créditos:
Todd Potter: Guitar, Vocals
Rod Prince: Guitar, Vocals
George Rarey: Bass, Slide Guitar, Vocals
Mark Evans: Drums, Percussion

Biografia:
Se a banda Demian ficou marcada como a Bubble Puppy II, eu acho que você poderia elastecer o critério e chamar a Sirius de Bubble Puppy III...
Os guitarristas Todd Potter e Rod Prince haviam integrado a Bubble Puppy, de Austin, Texas, e a Demian, derivada da Bubble Puppy. Quando a Demian colapsou, em 1972, Potter ficou na Califórnia trabalhando como músico de estúdio, antes de juntar-se e excursionar com a Fabulous Filler Brothers, de Rusty Weir. Prince tocou em várias bandas, incluindo Deadhorse Puppy, Manbeast e The Prince Trio.
Com a adição do baterista Mark Evans e do baixista George Rarey, em 1979, os dois formaram a Sirius. Lançado pela gravadora independente Elcric Flow, do Texas, o disco "Rising", produzido pela própria banda, candidatou-se a desapontar os fanáticos por psicodelia. Dito isso, e ouvindo o álbum sem qualquer expectativa, faixas como "Girl You Take Me Higher", "Best Of Me" e "Now I'm Home" oferecem uma mistura agradável de AOR e country rock. Responsável pela maior parte dos vocais, Potter tem uma voz camaleônica, capaz de lidar com qualquer gênero e soar bem (embora, ocasionalmente, um pouco apagado). Noutros momentos, Potter e Prince exibem entusiasticamente suas habilidades instrumentais, com performances atraentes em faixas como "No Idea" e "Smile At Me". Claro que nem tudo é perfeito. "Litany" soa como alguém tentando, à força, cultivar uma imagem de hard rock repulsivo, se bem que os solos de Potter e Prince impressionam bastante. De mais a mais, se "Runaway Bay" carregasse a assinatura da Pablo Cruise, teria gerado um sucesso Top 40 para o grupo.
Logo após o lançamento do disco, a Sirius extinguiu-se. Afora uma rápida reunião da Bubble Puppy, Potter e Prince abandonaram o cenário musical nas duas décadas seguintes.
Potter mudou-se para West Texas, aderiu ao ramo da construção civil e formou família. No final de 1990, começou a tocar, por diversão, com uma banda local de covers chamada The Fabulous Chevelles, e, em 2005, chegou a lançar um disco solo, intitulado "The Bell", pelo selo White Wing. Além disso, mantém um pequeno site.
Prince casou-se, teve um casal de filhos, trabalhou como eletricista e relançou o disco da Bubble Puppy, em 2001, pela sua gravadora, Actual Artists (Bad Cat Records; tradução livre do inglês).

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Demian - Demian


Banda: Demian
Disco: Demian
Ano: 1970(*)
Gênero: Acid Rock, Hard Rock, Psychedelic Rock
Faixas:
1. Face The Crowd (Roy Cox) 2:55
2. Windy City (Roy Cox) 5:19
3. Love People (Todd Potter) 2:17
4. Coming (Roy Cox, Rod Prince) 5:32
5. Todd's Tune (Todd Potter) 3:21
6. No More Tenderness (Roy Cox, Rod Prince) 3:52
7. Are You With Me Baby (Todd Potter) 4:55
8. Only A Loner (Roy Cox, Rod Prince) 4:37
Créditos:
Roy Cox: Bass, Vocals
Rod Prince: Guitar, Vocals
Todd Potter: Guitar, Vocals
Dave Fore: Drums
(*) CD lançado em 1994.

Resenha:
A menos que você seja um verdadeiro conhecedor de todas as coisas relacionadas à psicodelia, saber que o primeiro (e único) LP da Demian foi, de fato, o segundo LP da Bubble Puppy não vai fazer diferença alguma. Ademais, não houve apenas uma mudança de nome, mas também uma importante modificação de rumo. A Bubble Puppy era pura psicodelia, enquanto a Demian era genuíno rock pesado, movido a riffs.
A Demian legou apenas 33 minutos de música – um condensado LP de oito canções. A primeira faixa, "Face The Crowd", lembra bastante a Atomic Rooster (tirante o órgão, obviamente; afinal, tem-se aqui um quarteto de duas guitarras), e o resto do álbum carrega pinceladas de Savoy Brown, Deep Purple (do início), Chicago (do início) (há resquícios de Terry Kath na maneira de executar a guitarra rítmica) e hard rock americano. A banda compôs boas canções ("Coming", "Windy City", "Are You With Me, Baby?") e possuía uma eficiente cozinha (o baixista Roy Cox e o baterista David Fore), criativos arranjos para duas guitarras e um poderoso cantor (Cox). O disco foi gravado no famoso estúdio Record Plant, à noite e ao vivo, o que garantiu emoção ao som mas também alguns acordes errados. Tivesse um orçamento superior, um bom produtor para aparar as arestas e o apoio da gravadora, o LP homônimo da Demian poderia ter sido algo grande, talvez tão grande quanto a Grand Funk Railroad – as composições e a dedicação se equivalem (François Couture, AllMusic; tradução livre do inglês).

quarta-feira, 28 de maio de 2014

The Nasville Teens - Tobacco Road [Bonus Tracks]


Banda: The Nasville Teens
Disco: Tobacco Road [Bonus Tracks] 
Ano: 2000(*)
Gênero: British Invasion, British Blues, R&B
Faixas:
1. Tobacco Road (Loudermik) 2:27
2. Mona (I Need You Baby) (McDaniels) 4:38
3. Need You (Craig) 2:56
4. Bread And Butter Man (Hollingworth, Loden) 2:36
5. Hurtin' Inside (Randazzo, Colacrai) 2:03
6. Hootchie Kootchie Man (Dixon) 3:37
7. Google Eye (Loudermik) 2:20
8. Too Much (Carter, Lewis) 2:48
9. Parchment Farm (Allison) 2:16
10. I Like It Like That (Kenner) 2:02
11. How Deep Is The Ocean (Berlin) 2:42
12. La Bamba (Valens) 2:09
13. TNT (Hawken) 2:53
14. Devil-In-Law (Terry, Davis) 2:59
15. Find My Way Back Home (Lambert, Pegues) 2:23
16. What'cha Gonna Do [Single B-Side, 1965] [Bonus Track] (Cable, Jenkins) 1:46
17. I Know How It Feels To Be Loved [Single A-Side, 1965] [Bonus Track] (Barberis, Joyce) 2:45
18. Upside Down [Single B-Side, 1966] [Bonus Track] (Sharp) 2:22
19. Forbidden Fruit [Single A-Side, 1966] [Bonus Track] (Brown) 3:01
20. Revived 45 Time [Single B-Side, 1966] [Bonus Track] (Sharp) 1:45
21. That's My Woman [Single A-Side, 1966] [Bonus Track] (Little) 2:04
22. I'm Coming Home [Single A-Side, 1967] [Bonus Track] (Keen, Shaw) 3:05
23. The Biggest Night Of Her Life [Single A-Side, 1967] [Bonus Track] (Newman) 2:24
24. Last Minute [Single B-Side, 1967] [Bonus Track] (Sharp) 1:58
25. All Along The Watchtower [Single A-Side, 1968] [Bonus Track] (Dylan) 2:40
26. Sun Dog [Single B-Side, 1968] [Bonus Track] (Korner, Allen, Sharp, Groom, Phillips, Hawken, Smith) 3:10
27. Poor Boy [From the album "Gonks Go Beat - Original Soundtrack Recording", Various Artists, 1965] [Bonus Track] (Leander) 2:32
28. Ella James [Single A-Side, 1971] [Bonus Track] (Wood) 2:51
29. Tennessee Woman [Single B-Side, 1971] [Bonus Track] (Potter, Dee) 3:01
Créditos:
Arthur Sharp: Vocals
Ray Phillips: Vocals, Harmonica
John Allen: Guitar
John Hawken: Keyboards
Pete Shannon: Bass Guitar
Barry Jenkins: Drums
(*) LP lançado originalmente em 1964.

Biografia:
A biografia da banda, que segue, em tradução livre do inglês, foi extraída do site Oldies, que, por sua vez, cita, como fonte primária do texto, a Encyclopedia Of Popular Music, de Colin Larkin (sob licença da editora Muze).
Formada em Weybridge, Surrey, Inglaterra, em 1962, a Nashville Teens compreendia, inicialmente, os vocalistas Arthur "Art" Sharp (nascido em 26 de maio de 1941, em Woking, Surrey, Inglaterra) e Ray Phillips (nome verdadeiro: Ramon John Phillips, nascido em 16 de janeiro de 1944, em Tiger Bay, Cardiff, País de Gales), o guitarrista Michael Dunford, o pianista John Hawken (nascido em 9 de maio de 1940, em Bournemouth, Dorset, Inglaterra), o baixista Pete Shannon (nome verdadeiro: Peter Shannon Harris, nascido em 23 de agosto de 1941, em Antrim, Irlanda do Norte) e o baterista Roger Groom.
Dunford e Groom saíram em 1963 e a suas vagas foram preenchidas, respectivamente, por John Allen (nome verdadeiro: John Samuel Allen, nascido em 23 de abril de 1945, em St. Albans, Hertfordshire, Inglaterra) e Barry Jenkins (nascido em 22 de dezembro de 1944, em Leicester, Inglaterra). Um terceiro vocalista, Terry Crow, ingressou na banda para uma demorada apresentação em Hamburgo, Alemanha. O tempo vivido em terras germânicas acha-se registrado no disco "Live At The Star Club", de Jerry Lee Lewis, em que o septeto funcionou como banda de apoio para o veterano roqueiro.
Em 1964, já sem Crow, a Teens aliou-se ao produtor Mickie Most e gravou uma versão cadenciada de "Tobacco Road", que, merecidamente, chegou ao 6° lugar nas paradas do Reino Unido. "Google Eye", com estilo semelhante, também fez sucesso, alcançando o Top 10, mas o rompimento com Most brecou a vertiginosa ascensão da banda. Colaborações com Andrew Loog Oldham ("This Little Bird") e Shhel Talmy ("The Hard Way") renderam sucessos menores, à custa, porém, de uma incontestável inclinação do grupo para o R&B.
Groom retornou à banda em 1966, quando Jenkins a trocou pela Animals. Todavia, apesar das excelentes versões de "The Biggest Night Of Her Life", de Randy Newman, e "All Along The Watchtower", de Bob Dylan, a Nashville Teens mostrou-se incapaz de sequenciar os sucessos anteriores. Uma série de defecções – John Hawken depois encontrou a fama com a Renaissance – deixou Phillips como o único sobrevivente da formação original. Ele continua à frente da banda e, concomitantemente, se apresenta com a British Invasion All-Stars, junto com músicos que tocaram (ou ainda tocam) nos grupos Downliners Sect, Creation e Pretty Things.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Crack The Sky - Crak The Sky [Bonus Tracks]

Banda: Crack The Sky
Disco: Crak The Sky [Bonus Tracks]
Ano: 2002(*)
Gênero: Progressive Rock, Alternative Rock, Experimental Rock
Faixas:
1. Hold On (3:00)
2. Surf City (3:54)
3. A Sea Epic (6:32)
4. She's A Dancer (3:54)
5. Robots For Ronnie (4:36)
6. Ice (4:36)
7. Mind Baby (4:30)
8. I Don't Have A Tie (3:12)
9. Sleep (6:25)
10. Let Me Go Home (A Visit To The Projects) [Bonus Track] 3:25
11. Eileen (I Lean On You) [Bonus Track] 3:49
12. Hold On [Bonus Track] 2:14
13. Dr. Octopus (Part 2) [Bonus Track] (3:08)
Músicas de autoria de John Palumbo.
Créditos:
John Palumbo: Keyboards, Guitar, Lead Vocals
Rick Witkowski: Lead Guitar, Percussion
Joe Macre: Bass Guitar, Harmonies
Jim Griffiths: Lead Guitar, Harmonies
Joey D'Amico: Drums, Harmonies
Músicos adicionais:
George Marge: Woodwinds (faixas 3, 5, 9)
David Sanborn, Michael Brecker, Randy Brecker: Horns (faixas 4, 7)
Ray Dahrouge: Vocals (faixa 13)
(*) LP lançado originalmente em 1975.

Biografia:
O grupo de rock progressivo Crack The Sky formou-se na região americana de Ohio River Valley, em 1975, através da conjunção de forças do vocalista John Palumbo, dos guitarristas Jim Griffiths e Rick Witkowski, do baixista Joe Macre e do baterista Joey D'Amico. De acordo com o site www.crackthesky.com, a banda chamava-se, no início, ArcAngel. Após conquistar admiradores fiéis nos circuitos de bares de Cleveland e Baltimore, o grupo assinou com a gravadora Lifesong e lançou seu primeiro LP, homônimo, aclamado pela crítica em face das acerbas letras de Palumbo e as complexas e moduladas estruturas das músicas.
Comercialmente, porém, o disco naufragou. Depois de completar o segundo LP, "Animal Notes", de 1976, Palumbo deixou o grupo para seguir carreira solo. D'Amico assumiu os vocais em "Safety In Numbers", de 1978, e Gary Lee Chappel cantou no disco ao vivo da banda, lançado no mesmo ano. A Crack The Sky então se desfez, mas, em 1980, Palumbo, Witkowski e o tecladista Vince DePaul reativaram o grupo pelo prazo suficiente para a gravação do disco "White Music", separando-se depois.
Palumbo montou um novo lineup para a gravação de diversos álbuns ("Photoflamingo", "World In Motion One" e "Raw") e, posteriormente, reagrupou-se outra vez com Witkowski, D'Amico e DePaul visando a uma série de apresentações, em 1986, no nightclub Hammerjacks, de Baltimore, e também para a gravação do LP "From The Greenhouse". "Dog City" surgiu em 1990, e após isso a banda raramente se reencontrou ao longo da década seguinte (nota minha: o próprio AllMusic registra vários discos da banda gravados após "Dog City", o que parece desmentir a afirmação do resenhista) (Jason Ankeny, AllMusic; tradução livre do inglês).

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Spirit - Spirit Of '76


Banda: Spirit
Disco: Spirit Of '76
Ano: 1975(*)
Gênero: Art Rock, Progressive Rock, Psychedelic Rock
Faixas:
Disc One
1. America, The Beautiful (Bates, Ward)/The Times They Are A Changing (Dylan) 5:26
2. Victim Of Society (California, Cassidy) 3:02
3. Lady Of The Lakes (California, Cassidy) 2:54
4. Tampa Jam (Pt. 1) (California, Cassidy) 0:54
5. Maunaloa (California) 2:04
6. What Do I Have? (California) 1:58
7. Sunrise (California, Cassidy) 3:04
8. Walking The Dog (Thomas) 3:10
9. Tampa Jam (Pt. 2) (California, Cassidy) 1:03
10. Joker On The Run (California, Cassidy, Keene) 3:57
11. When? (California) 4:27
12. Like A Rolling Stone (Dylan) 8:56
Disc Two
1. Once Again (California, Cassidy) 3:22
2. Feeling In Time (California, Cassidy) 3:25
3. Happy (Jagger, Richards) 3:17
4. Jack Bond (Shonberg) 1:38
5. My Road (California) 4:14
6. Tampa Jam (Pt. 3) (California, Cassidy) 0:49
7. Thank You Lord (California) 1:48
8. Urantia (California, Cassidy) 4:00
9. Guide Me (California, Cassidy) 3:49
10. Veruska (Andes, California, Cassidy) 4:00
11. Hey Joe (Roberts, Valente) 6:32
12. Jack Bond (Pt. 2) (Shonberg) 0:44
13. The Star Spangled Banner (Key) 3:46
Créditos:
Randy California: All Instruments, Vocals
Ed Cassidy: All Drums
Barry Keene: Bass
Benji: Harpsichord, Moog
(*) CD lançado em 2003.

Biografia:
A biografia da banda já foi postada aqui, juntamente com o disco "Made In Germany", de 1983.

sábado, 24 de maio de 2014

Ultra - Ultra


Banda: Ultra
Disco: Ultra
Ano: 2000(*)
Gênero: Blues-Rock, Southern Rock
Faixas:
1. Mutants (3:29)
2. Android (3:10)
3. Battery (4:08)
4. Ten Years Since (4:23)
5. Lamp Black, White Fight (2:51)
6. Windjammer (3:40)
7. Diggin' Deep (4:32)
8. Circe (4:51)
9. Seasons Pass (4:16)
10. City On Ice (4:33)
11. The Desert (4:32)
12. Souled There With Care (3:51)
13. Man On The Street (4:06)
14. Getaway (4:02)
15. Compass (5:16)
16. Hot-N-Cold (3:44)
Músicas de autoria de Calen Niles, Larry McGuffin e Don Evans.
Créditos:
Calen Niles: Gibson Guitars, Fender Guitars
Larry McGuffin: Gibson Guitars, Fender Guitars
Don Evans: Vocals
Tom Schleuning: Ludwig Drums
Scott Stephens: Gibson Bass, Rickenbacker Bass
(*) O disco é uma compilação de gravações da banda, realizadas entre 1975 e 1977, nunca antes lançadas.

Biografia:
Numa época em que bandas promissoras ainda podiam prosperar em mercados regionais ao largo das grandes gravadoras nacionais, a Ultra, uma bem-conceituada e altamente profissional banda texana de boogie rock, com duas guitarras, acabou criminosamente esquecida apesar das suas centenas de quilômetros de estrada em turnês e quatro anos inteiros afastada da sua cidade, Santo Antônio, Texas.
Formada em 1974 pelo vocalista Don Evans e o guitarrista Galen Niles, na sequência da dissolução da antiga banda de ambos, a Homer (cujo segundo guitarrista, Van Wilks, partiu para carreira solo com o disco "Bombay Tears", lançado pela Mercury Records), a Ultra completou-se com o guitarrista Larry McGuffin, o baixista Scott Stephens e o baterista Tom Schleuning, e logo foi escolhida para abrir shows de grandes grupos do Texas. No entanto, como mencionado acima, a sua estrela nunca brilhou além dos limites estaduais, de modo que um único EP promocional, com cinco faixas, foi tudo o que o grupo conseguiu lançar durante a sua existência. Finalmente, perdendo a paciência, e angustiada com o avanço da onda disco e do punk, a Ultra dissolveu-se em 1978, mas suas gravações seriam heroicamente recuperadas 20 anos depois e compiladas numa coleção intitulada simplesmente "Ultra", pelo selo texano Monster Records (Eduardo Rivadavia, AllMusic; tradução livre do inglês).

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Rock Workshop - Discografia essencial

Banda: Rock Workshop
Gênero: Blues-Rock, R&B, Pub Rock, Hard Rock

Disco: Rock Workshop [Bonus Track]
Ano: 2002(*)
Faixas:
1. Ice Cold (Russell, Shepherd) 2:56
2. Wade In The Water (Traditional) 3:45
3. Hole In Her Stocking (Harvey, Russell) 4:09
4. He Looks At Me/Mooncross Grove (Russell) 10:19
5. Spine Cop (Russell) 3:48
6. Born In The City (Russell) 3:01
7. Theme For Freedom (Russell) 7:35
8. You To Lose (Russell, Cameron) 6:41
9. Spine Cop [Alternate Version] [Bonus Track] (Russell) 3:50
10. Hole In Her Stocking [Alternate Version] [Bonus Track] (Harvey, Russell) 5:31
11. Born In The City [Alternate Version] [Bonus Track] (Russell) 2:47
12. You To Lose [Alternate Version] [Bonus Track] (Russell, Cameron) 5:25
13. Primrose Hill [Bonus Track] (Russell, Shepherd) 5:41
14. Return Of The Goddess [Bonus Track] (Russell) 5:42
Créditos:
Alex Harvey: Vocals (faixas 1-3, 6, 10, 11, 13)
Alan Greed: Vocals (faixas 8, 12)
Ray Russell: Guitar
Daryl Runswick: Bass Guitar
Alan Rushton: Drums
Robin Jones: Drums, Congas
Brian Miller: Keyboards
Derek Wadsworth: Trombone
Bud Parkes: Trumpet
Harry Beckett: Trumpet, Flugelhorn
Tony Roberts, Bob Downes: Tenor Flute, Concert Flute, Alto Flute
(*) LP lançado originalmente em 1970.
Disco: The Very Last Time [Bonus Track]
Ano: 2004(*)
Faixas:
1. Living Reason (Russell) 4:11
2. Street War (Parts 1 & 2) (Russell) 9:10
3. Going Home (Russell, Greed) 5:40
4. What's Mine Is Mine (Russell, Greed) 2:52
5. Weeping Wood Mandalas (Russell) 1:49
6. Forgotten How To Live (Russell, Greed, Ginger Harper) 3:58
7. Light As Light (Russell, Greed) 3:48
8. I Think It's.... (Russell, Greed, Rushton) 3:59
9. Ella Banta Dum Bundy (Russell) 6:20
10. Very Last Time (Russell) 3:29
11. Is This The End... Baby? (Russell) 0:49
12. Let My Bluebird Sing [Recorded live at Goldsmiths College, London] [Bonus Track] (Harvey, Russell) 4:02
13. Wade In The Water [Live rehearsal tape] [Bonus Track] (Russell) 3:39
14. Ice Cold [Live rehearsal tape] [Bonus Track] (Russell, Shepard) 3:02
15. Heavy Weather [Recorded live at Goldsmiths College, London] [Bonus Track] (Russell) 4:37
16. Patterns [Demo for a single] [Bonus Track] (Russell) 2:43
17. Watch Your Step [Demo for a alternative single] [Bonus Track] (Russell) 4:14
18. Ashen Besher [Demo tape] [Bonus Track] (Russell) 5:28
Créditos:
Alex Harvey: Vocals (faixas 12-14)
Alan Greed: Vocals
Ray Russell: Guitar
Ginger Harper: Keyboards, Vocals
Darryl Runswick: Bass
Alan Rushton: Drums
Bob Downes: Flute
Brian Miller: Keyboards
Derek Wadsworth: Trombone
Bud Parkes: Trumpet
Harry Beckett: Trumpet, Flugelhorn
Tony Roberts: Winds
Tony Uter, Phil Wainman: Percussion
(*) LP lançado originalmente em 1971.

Biografia: 
Formado em 1970 pelo guitarrista Ray Russell, este inconstante grupo roqueiro-jazzístico teve vida breve, mas albergou vários dos principais jovens músicos de jazz do Reino Unido, contando, no início, com Harry Beckett (trompete e fliscorne), Bob Downes (saxofone), Bud Parkes (trompete), Tony Roberts (trompete e sopros), Derek Wadsworth (trombone) Alan Greed (vocal), Brian Miller (teclados), Daryl Runswick (baixo), Alan Rushton e Robin Jones (bateria). Alguns desses músicos estiveram envolvidos em outros trabalhos, simultaneamente, cabendo citar os discos solos de Downes e Russell e participações em álbuns, na época, de Jack Bruce, Keef Hartley e Alex Harvey. Wadsworth e Parkes figuraram no álbum "Roman Wall Blues", de Harvey, e este retribuiu cantando na maior parte de "Rock Workshop", lançado em 1970. 
O segundo álbum do grupo, "For The Very Last Time", teve a contribuição dos percussionistas Phil Wainman e Tony Uter, no lugar de Jones, enquanto Ginger Harper se encarregou dos vocais. Posteriormente, os integrantes da Rock Workshop seguiram caminhos diferentes. "Rock Workshop", em especial, continua sendo uma joia subestimada, ostentando a frenética "Spoin Kop", de Russell, e a memorável e atrevida "Primrose Hill". Embora os dois discos de vinil estejam fora de catálogo há muito tempo, ambos representaram uma tentativa ousada de fundir o que seria chamado de rock-jazz em oposição ao jazz-rock. O primeiro álbum foi finalmente relançado em 2003 pelo selo Angel Air, num bem-vindo CD com faixas bônus e alteração na ordem das faixas, porém, infelizmente, a versão original de "Primrose Hill" foi substituída por uma gravação alternativa inferior (AllMusic; tradução livre do inglês).

domingo, 18 de maio de 2014

Shotgun - Dallasian Rock [Bonus Tracks]


Banda: Shotgun
Disco: Dallasian Rock [Bonus Tracks]
Ano: 2013(*)
Gênero: Blues-Rock, Hard Rock
Faixas:
Original LP
1. Rock Star Queen (Soria) 3:09
2. In The Music (Soria, Houston) 4:12
3. Seems Like You Would Understand (Soria) 2:36
4. Play The Game (Soria) 3:27
5. Last Night (Soria) 3:01
6. Mercy (Soria) 4:00
7. Feelin' Good (Soria) 3:46
8. Straight Out (Soria, Houston) 4:16
9. Keep A Steady High (Soria, Houston) 2:10
10. Dallasian Rock (Soria) 3:31
11. Leavin' On A Train (Soria) 3:54
Bonus CD
12. We Are The Stars [Demo,1974 [Bonus Track] (Soria) 2:25
13. You Won't See Me Again [Demo,1974 [Bonus Track] (Soria, Houston) 2:41
14. Cold Sunday [Demo,1974 [Bonus Track] (Houston) 3:20
15. I Never Wanted You To Know [Demo,1974 [Bonus Track] (Houston) 3:07
16. The Way It's Supposed To Be [Demo,1974 [Bonus Track] (Houston, Skarsten) 4:17
17. Keep A Steady High [Demo,1974 [Bonus Track] (Soria, Houston) 2:33
18. Silver Bullets [Demo,1974 [Bonus Track] (Coleman) 3:43
19. I Know What You're Saying [Live, 1976] [Bonus Track] (Soria, Houston) 4:21
20. The Way It's Supposed To Be/Silver Bullets [Live, 1976] [Bonus Track] (Soria, Houston) 8:58
21. Leavin' On A Train [Live, 1976] [Bonus Track] (Soria) 4:12
Créditos:
Billy Metcalf: Vocals
John Michael Soria: Guitar, Vocals
Russ Skarsten: Organ, Percussion, Keyboards, Vocals
Hugh Coleman: Bass, Vocals
Guy Houston: Drums
John Nitzinger: Guitar
(*) As gravações originais realizaram-se entre 1974 e 1976.

Resenha:
O disco da Shotgun, banda de rock setentista de Dallas-Fort Worth, Texas, EUA, intitulado "Dallasian Rock", finalmente viu a luz do dia graças à Shroom Angel Records, que pegou a esquecida gravação texana, remasterizou-a, e agora apresenta-a para as novas gerações de apreciadores da música dos anos 70.
Rich Patz, dono da gravadora, recuperou mais uma vez fitas descartadas de uma popular banda roqueira de Dallas dos anos 70, e lançou, pelo seu selo – que, aos poucos, começa a ter o reconhecimento do público –, as 11 faixas gravadas pelo grupo em estúdio. Aficionado por música, ele se dedica a garimpar gravações perdidas e relançá-las com áudio melhorado e fascinantes embalagens. O disco foi formatado em CD, mas você também pode encontrar uma edição limitada em vinil, preparada por esse grande colecionador, que aprecia o som puro e encorpado, só obtido pela gravação em LP.
A Shotgun era: Guy Houston na bateria, Hugh Coleman no baixo, John Michael Soria na guitarra solo, Russ Skarsten nos teclados e Billy Metcalf nos vocais. Formada na noite de ano-novo de 1973, a banda ficou três anos tocando na região até apresentar-se pela última vez, ironicamente na entrada do ano de 1977, no Electric Ballroom, em Dallas, Texas. Antes, porém, na primavera de 1976, a Shotgun gravou, no Harvest Studios, em Dallas, seu primeiro disco, com 11 faixas, que se chamaria "Dallasian Rock". Como sabemos agora, o álbum nunca chegou às prensas, tendo ficado guardado "na lata", como se diz, durante os últimos 37 anos.
O CD começa com a esplêndida "Rock Star Queen", do guitarrista John Michael, que tem a participação de John Nitzinger na guitarra rítmica. Um número poderoso, com riffs clássicos de guitarra, letra densa e ritmo contagiante. Eu queria saber: para quem a música foi composta? Ao longo do disco, a sensibilidade é a tônica, como revelam as faixas "Seems Like You Would Understand" e "Play The Game", onde se sobressaem os vocais harmoniosos de Billy Metcalf.
Consistente e embalada, a Shotgun possuía uma sonoridade singular, uma mistura própria. A faixa 5 do CD, "Last Nite", muda o compasso, diminui o ritmo mas mantém a autenticidade e o estilo sem rodeios característicos da banda.
Uma das minhas canções preferidas do CD é "Mercy", completamente dominada pelo inesquecível charme setentista. Nuances precisas, com uma dinâmica excelente e riffs impecáveis de guitarra. A sétima faixa, "Feelin Good" é um número mais compassado, um vaivém sonoro com final energético e, disparado, o melhor trabalho solo de guitarra da gravação original. A temática que inunda todo o disco é o amor: autêntico, consumado ou buscado. Letras estilo anos 70 do início ao fim!
A faixa 8 do CD, "Straight Out" é uma música lenta, cujo vocal parece ter sido improvisado por Billy Metcalf. "Keep A Steady High" é outro número que mostra o talento dos integrantes da banda, sobretudo do tecladista. Uma canção ingênua e divertida, curta e doce. A faixa-título, "Dallasian Rock", consta no CD como um tributo ao cenário roqueiro de Dallas. Uma canção texana tradicional, despontando a guitarra de John Michael Soria.
A última faixa do CD é "Leavin 'On A Train". É uma música poderosa, com esmerado trabalho de guitarra slide e uma agradável linha de baixo, que captura a essência do disco inteiro. Mas não termina aí. Devido ao espaço disponível no LP, o CD trouxe faixas extras: apresentações ao vivo, entre as quais "Silver Bullet" e "I Know What Your Sayin'", gravadas na rádio KZEW FM ("The Zoo") por volta de 1976, além de demos raras e versões alternativas. Uma grande peça, sem dúvida, do rock-and-roll de Dallas, o lançamento da Shotgun, em CD ou LP, não é de se perder (Michael Insuaste, Jam Magazine; tradução livre do inglês).

terça-feira, 13 de maio de 2014

Focus - In And Out Of Focus

Banda: Focus
Disco: In And Out Of Focus
Ano: 1970(*)
Gênero: Art Rock, Progressive Rock, Jazz-Rock
Faixas:
1. Focus... (Vocal) (Van Leer, Cleuver) 2:44
2. Black Beauty (Van Leer, Cleuver) 3:08
3. Sugar Island (Van Leer, Dresden, Staal) 3:05
4. Anonymus (Van Leer, Akkerman, Dresden) 6:32
5. House Of The King (Akkerman) 2:51
6. Happy Nightmare (Mescaline) (Van Leer, Dresden, Hayes) 3:58
7. Why Dream (Van Leer, Cleuver) 3:59
8. Focus (Instrumental) (Van Leer) 9:45
Créditos:
Thijs Van Leer: Organ, Piano, Electric Piano, Harpsichord, Vibraphone
Jan Akkerman: Guitar
Martijn Dresden: Bass
Hans Cleuver: Drums, Percussion
(*) CD lançado em 1988.

Biografia:
Comumente lembrada por seu fantástico sucesso nas paradas com "Hocus Pocus", a banda holandesa de rock progressivo Focus foi formada em Amsterdam, no ano de 1969, pelo vocalista, tecladista e flautista Thijs Van Leer, o baixista Martin Dresden e o baterista Hans Cleuver. Com a entrada posterior do guitarrista Jan Akkerman, o grupo lançou o seu primeiro LP, "In And Out Of Focus", em 1970, tornando-se um cult europeu graças ao single "House Of The King".
Dresden e Cleuver foram substituídos pelo baixista Cyril Havermanns e o baterista Pierre Van Der Linden para o subsequente disco em inglês, "Moving Waves", que gerou o hit "Hocus Pocus", um épico alucinante marcado pelas pirotecnias da guitarra de Akkerman e os alucinados falsetes de Van Leer. Sem dúvida uma das músicas mais estranhas a figurar nas paradas pop americanas em todos os tempos, o single atingiu o 9° lugar na primavera de 1973, época em que a Focus já havia trocado Havermanns pelo baixista Bert Ruiter e lançado seu terceiro disco, "Focus III", que rendeu um hit menor, "Sylvia". Na esteira de "Hamburger Concert", de 1974, a banda simplificou as texturas clássicas dos trabalhos anteriores e enveredou para uma abordagem sonora mais pop, cristalizada nos discos "Ship Of Memories" e "Mother Focus".
Apesar das contínuas trocas dos seus integrantes ter sido uma constante dor de cabeça para a banda, nenhuma foi mais traumática do que a saída de Akkerman, em 1976, substituído pelo guitarrista Philip Catherine para a gravação de "Focus con Proby", de 1978, que contou com a participação do cantor pop britânico P. J. Proby. Depois disso, a Focus se dissipou, reunindo-se em 1990, com o lineup original, para um programa especial da televisão holandesa. Após se separar novamente, a banda reagrupou-se duas vezes, em 1995 e em 1999. Em 2002, Van Leer reformulou o grupo com novos integrantes, lançando os discos "Focus 8" (2002), "Focus 9/New Skin" (2006) e "Focus X" (2012). Em 2010, a Nike usou "Hocus Pocus" em seu comercial Write The Future, destinado à Copa do Mundo de Futebol, revigorando o interesse global na Focus. Em 2016, Van Leer mudou o pessoal mais uma vez: entraram o baterista Pierre van der Linden, o guitarrista Menno Gootjes e o baixista Udo Pannekeet. Vieram então os álbuns "Focus 8.5/Beyond The Horizon" (de estúdio) e "Live In England" (ao vivo). Um ano depois, a gravadora Cherry Red soltou a compilação "The Focus Family Album"  (Jason Ankeny, AllMusic; tradução livre do inglês).

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Canned Heat - Canned Heat

Banda: Canned Heat
Disco: Canned Heat
Ano: 1967(*)
Gênero: Blues, Blues-Rock, Boogie Rock, Modern Electric Blues
Faixas:
1. Rollin' And Tumblin' (Morganfield) 3:11
2. Bullfrog Blues (Hite, Wilson, Vestine, Cook, Taylor) 2:20
3. Evil Is Going On (Dixon) 2:24
4. Goin' Down Slow (Olden) 3:49
5. Catfish Blues (Traditional) 6:48
6. Dust My Broom (James) 3:18
7. Help Me (Dixon, Bass) 3:12
8. Big Road Blues (Hite, Wilson) 3:15
9. The Story Of My Live (Jones) 3:43
10. The Road Song (Hite, Wilson) 3:16
11. Rich Woman (Mackinley, Labostrie) 3:04
Créditos:
Bob "The Bear" Hite: Vocals
Alan "Blind Owl" Wilson: Guitar, Vocals, Harp
Henry "Sunflower" Vestine: Guitar
Larry "The Mole" Taylor: Bass
Frank Cook: Drums
(*) CD lançado em 1990.

Biografia:
Uma banda azarada dos anos 60, a Canned Heat foi criada por Alan Wilson e Bob Hite, estudiosos da história do blues e colecionadores de discos do gênero. O grupo parecia estar no caminho certo, tendo tocado em todos os festivais de prestígio (incluindo Monterey e Woodstock, ganhando destaque nos documentários realizados sobre os concertos), todavia, por alguma estranha razão, nunca encontrou um público constante.
Mas, certamente, o coração da banda estava no lugar certo. O disco de estreia da Canned Head – lançado pouco depois de sua aparição em Monterey – foi tão fundo nas raízes do blues como nenhuma banda do mesmo gênero conseguiu ir, à exceção da primitiva Paul Butterfield Band. Hite, apelidado de "Urso", portava-se no palco de acordo com o antigo figurino tradicional de Howlin' Wolf e outros de idêntica envergadura. Wilson era um extraordinário gaitista, com tom alto e grande vibrato. Seu trabalho na guitarra, especialmente em afinações abertas (por sinal, ele tocou em gravações redescobertas da Son House de meados dos anos 60), deu à banda uma profundidade e textura que a maioria dos outros guitarristas rítmicos só poderia aspirar (nota minha: na verdade, Wilson também era solista, como se pode constatar em diversos vídeos em que ele aparece). Henry Vestine – outro incorrigível colecionador de discos – foi a resposta da costa oeste a Michael Bloomfield e capaz de incendiar a guitarra a qualquer momento.
O crescimento da Canned Heat ocorreu com o lançamento do seu segundo disco, que caracterizou o grupo, entre o público hippie festeiro, como  "rei do boogie". Visando a homenagear o músico que lançou o estilo (nota minha: o boogie), a banda gravou um álbum com John Lee Hooker, propiciando uma das mais bem sucedidas turnês do velho bluseiro com um jovem grupo branco (ou preto, se se olhar a Canned Heat do ponto de vista apenas musical) apoiando-o. Após dois grandes sucessos – "Goin' Up The Country" e uma explosiva versão de "Let's Work Together", de Wilbert Harrison –, Wilson morreu sob circunstâncias misteriosas (provavelmente em função do consumo de drogas), em 1970. Hite, então, assumiu o leme da Canned Heat, até morrer, de ataque cardíaco, em 1981, durante uma apresentação da banda, que, aliás, passou por várias mudanças na sua composição no período em que Hite a liderou.
Ainda assim, os membros sobreviventes – agora guiados pelo baterista Adolfo "Fito" de la Parra – continuaram excursionando e gravando, já com novo vocalista, Walter Trout, substituído, em 1985, por James Thornbury, que assumiu as rédeas da banda ao longo da década seguinte. Após a saída de Thornbury em 1995, o grupo selecionou Robert Lucas para assumir os vocais. Ato contínuo, gravou "The Canned Heat Blues Band", que, lamentavelmente, foi o último disco de Vestine com a Heat – ele faleceu em outubro de 1997, em Paris, no rastro de recente turnê da banda ali realizada. "Boogie 2000" apareceu dois anos depois (Bruce Eder, AllMusic; tradução livre do inglês).

sábado, 10 de maio de 2014

The Fraternity Of Man - Discografia essencial

Banda: The Fraternity Of Man
Gênero: Blues-Rock, Psychedelic Rock

Disco: The Fraternity Of Man
Ano: 1968(*)
Faixas:
1. In The Morning (4:22)
2. Plastic Rat (3:41)
3. Don't Bogart Me (3:00)
4. Stop Me, Citate Me (2:50)
5. Bikini Baby (2:03)
6. Oh No I Don't Believe It (6:15)
7. Wispy Paisley Skies (2:22)
8. Field Day (3:59)
9. Just Doin' Our Job (2:21)
10. Blue Guitar (4:23)
11. Last Call For Alcohol (3:25)
12. Candy Striped Lion's Tails (5:17)
Músicas de autoria da banda, exceto "Oh No I Don't Believe It", composta por Frank Zappa.
(*) CD lançado em 1995.
Disco: Get It On!
Ano: 1969(*)
Faixas:
1. Boo Man (3:12)
2. Don't Start Me Talkin' (2:37)
3. Pool Of Tears (2:47)
4. The Throbber (3:40)
5. Cat's Squirrel (3:16)
6. Too High To Eat (3:46)
7. Forget Her (3:32)
8. Coco Lollipop (3:01)
9. Trick Bag (2:39)
10. Mellow Token (3:28)
Músicas de autoria da banda, exceto "Don't Start Me Talkin'", composta por Sonny Boy Williamson.
(*) CD lançado em 1995.
  
Créditos nos dois discos:
Eliott Ingber: Guitar
Warren Klein: Guitar, Sitar, Tamboura
Martin Kibbee: Bass
Richard Hayward: Drums, Vocals
Lawrence "Stash" Wagner: Lead Vocalist, Guitar

Biografia:
Essa banda americana foi formada em Los Angeles, California, em 1967, quando Elliot Ingber (guitarra, ex-Mothers Of Invention) uniu-se a três esforçados integrantes da incipiente banda Factory: Warren Klein (guitarra e cítara), Martin Kibbee (baixo) e Richie Hayward (nome verdadeiro: Richard Hayward, nascido em 6 de fevereiro de 1946, em Clear Lake, Iowa, EUA; bateria). Lawrence "Stash" Wagner (vocal principal e guitarra) completou o lineup que gravou "The Fraternity Of Man", uma díspar seleção musical, que abrangia desde o melodioso flower power ("Wispy Paisley Skies") até a retórica política ("Just Doin' Our Job"). O disco também apresentou uma versão de "Oh No I Don't Believe It", de Frank Zappa, mas é mais lembrado por "Dont' Bogart Me", hino dos doidões, posteriormente imortalizado no filme "Easy Rider" (nota minha: no Brasil, "Sem Destino").
O álbum bluseiro "Get It On!" carecia do charme do seu predecessor, embora tivesse as participações do pianista Bill Payne e do guitarrista Lowell George (ex-membro da Factory), futuros integrantes, juntamente com Hayward, da Little Feat. Ingber também envolveu-se com a Little Feat, na sua fase embrionária, mas optou pelo grupo de Captain Beefheart, que o apelidou de Winged Fingerling Eel. Nos anos seguintes, Ingber pertenceu à Grandmothers, grupo derivado da Mothers Of Invention. Muito tempo depois, Ingber e Wagner se reunirame brevemente, usando o nome Fraternity Of Man, para gravar o atroz EP "X", de 1995 (AllMusic; tradução livre do inglês).

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pacific Drift - Feelin' Free


Banda: Pacific Drift
Disco: Feelin' Free
Ano: 1970(*)
Gênero: Progressive Rock
Faixas:
1. Plaster Caster's U.S.A. (Reynolds, Arends) 2:59
2. Tomorrow Morning Brings (Harrop, Chapman, Reynolds) 2:38
3. Feelin' Free (Reynolds, Arends) 2:34
4. Just Another Girl (Matus) 3:08
5. Garden of Love (Lancaster, Reynolds) 1:46
6. Norman (Harrop, Chapman, Arends, Reynolds) 3:12
7. Grain of Sand (Lancaster, Reynolds) 2:19
8. Greta the Legend (Reynolds) 5:08
9. Going Slow (Reynolds, Arends) 2:59
10. God Has Given Me (Reynolds, Arends) 2:59
11. Happy Days (Arends, Reynolds) 7:23
Créditos:
Barry Reynolds: Lead Vocal, Lead & Acoustic Guitars, Bass Guitar
Brian Chapman: Piano, Organ, Harpsichord, Vocals
Lawrence Arends: Drums, Percussion, Vocals
Graham Harrop: Bass Guitar, Acoustic Guitar, Vocals
Músicos adicionais:
Jack Lancaster: Flute
Dave Davani Brass Section: Brass
(*) CD lançado em 2006.

Biografia:
Essa banda britânica, formada no final dos anos 60, era composta por Barry Reynolds (guitarra e vocais), Brian Chapman (teclados e vocais), Graham Harrop (baixo) e Lawrence Arends aka Larry King (bateria). King, ex-Wimple Winch, de Liverpool, criou a Pacific Drift com ex-integrantes da Sponge, conjunto de jazz-rock que implodiu quando o saxofonista Jack Lancaster o deixou em 1968 para juntar-se à Blodwyn Pig.
Após lançar um single – versão de "Water Woman", da Spirit –, o grupo soltou, em 1970, seu homônimo e solitário disco longo. No entanto, embora se apresentasse em locais bastante frequentados do circuito alternativo e em festivais, a Pacific Drift não conseguiu sequenciar sua carreira e extinguiu-se no final do ano (AllMusic; tradução livre do inglês).

terça-feira, 6 de maio de 2014

Jim Capaldi - Oh how we danced

Músico: Jim Capaldi
Disco: Oh how we danced
Ano: 1972(*)
Gênero: Art Rock, Blues-Rock, Soft Rock
Faixas:
1. Eve (Capaldi) 3:39
2. Big Thirst (Capaldi, Mason) 5:27
3. Love Is All You Can Try (Capaldi) 3:23
4. Last Day Of Dawn (Capaldi) 4:34
5. Don't Be A Hero (Capaldi) 5:57
6. Open Your Heart (Capaldi) 4:04
7. How Much Can A Man Really Take (Capaldi) 5:20
8. Oh How We Danced (S. Chaplin, A. Jolson) 4:28
Créditos:
Jim Capaldi: Vocals, Guitar, Piano
Jimmy Johnson: Electric Guitar
Barry Beckett: Piano, Organ
David Hood: Bass
Roger Hawkins: Drums
Steve Winwood: Organ (faixas 1, 6), Guitar (faixa 3), Vocals (faixa 6)
Paul Kossoff: Electric Guitar (faixas 2, 4, 5, 7), Electric Solo Guitar (faixa 8)
Dave Mason: Harmonica (faixa 2), Electric Solo Guitar (faixa 5)
Rebop Kwaku Baah: Percussion (faixas 4, 6), Congas (faixa 7)
Rick Grech: Bass (faixa 6)
Jim Gordon: Drums (faixa 6)
Chris Wood: Electric Saxophone (faixa 6), Flute (faixa 7)
Trevor Burton: Bass (faixa 7)
Mike Kellie: Drums (faixa 7)
Bob Griffin: Piano (faixa 7)
(*) CD lançado em 1996. A faixa 8, em alguns LPs, aparece com o nome de "Anniversary Song".

Biografia:
Nome verdadeiro: Nicola James Capaldi. Nascido em 2 de agosto de 1944, em Evesham, Worcestershire, Inglaterra, e morto em 28 de janeiro de 2005, em Londres, Inglaterra. Geralmente conhecido como "Cavalheiro" Jim Capaldi, ele conquistou mais afeição do que importância na história da música. Filho de um professor de música, Capaldi estudou piano e cantou desde a tenra idade, mas foi a bateria que finalmente atraiu sua atenção. Após integrar a Hellions e a Deep Feeling na metade dos anos 60, ele ficou amigo do tecladista e cantor Steve Winwood, que ainda pertencia à Spencer Davis Group.
A dupla uniu-se a Dave Mason, ex-membro da Deep Feeling, e a Chris Wood para formar uma nova banda, Traffic, formalmente constituída em 1967. Durante a sua turbulenta história de oito anos de altos e baixos, a Traffic tornou-se referência no cenário do rock progressivo da época. E Capaldi ficou conhecido como o letrista que conseguiu complementar, exemplarmente, as idéias musicais inovadoras de Winwood.
Durante a ausência forçada de Winwood, acamado por uma peritonite em 1972, Capaldi lançou o disco solo "Oh How We Danced". A boa colocação do álbum nas paradas americanas permitiu-lhe gravar discos em intervalos regulares. "Short Cut Draw Blood", de 1974, provou ser seu melhor trabalho, despejando dois singles de sucesso no Reino Unido: "It's All Up To You" e uma versão animada de "Love Hurts", de Boudleaux Bryant (mais tarde ranqueada no Top 5). Ele excursionou com sua banda, Space Cadets, em 1976, obtendo razoável resposta. Posteriormente, mudou-se para o Brasil com sua mulher, Aninha Campos, encerrando, definitivamente, a lucrativa parceria musical com Steve Winwood.
Isso não impediu, porém, que Winwood continuasse a participar dos seus discos, como, por exemplo, em "Fierce Heart", de 1983, no qual colaborou de maneira notável. O álbum desovou apenas um hit no Top 30 estado-unidense, "That's Love".
Depois de uma pausa de quatro anos, Capaldi retornou ao cenário musical em 1988, com a coletânea "Some Came Running", e contribuiu para o multicampeão de vendas "Roll With It", de Winwood, lançado no ano seguinte. Em 1990, novamente cooperou com Winwood em "Refugees Of The Heart", e coescreveu o sucesso americano "One And Only Man".
O ciclo completo concluiu-se em 1994, quando a reconstituída Traffic realizou uma turnê mundial e lançou o subestimado "Far From Home". Em 1996, Capaldi ganhou o prêmio BMI (nota minha: organização americana que atua em defesa de direitos autorais de músicos) por "Love Will Keep Us Alive", coescrita com Peter Vale e gravada pela Eagles. Em seguida, participou do decepcionante disco de Winwood, "Junction 7", lançado em 1997.
Um CD interessante surgiu em 1999, apresentando músicas destacadas de Capaldi com seu antigo parceiro Dave Mason, intitulado "Live: The 40,000 Headmen Tour" (nota minha: o disco encontra-se catalogado na discografia de Dave Mason). Além das prediletas da Traffic, o álbum incluiu regravações fidedignas de itens selecionados do repertório solo de Capaldi, como  "Love Will Keep Us Alive".
Em março de 2004, Capaldi, juntamente com a Traffic, entrou para o Rock And Roll Hall Of Fame. Cinco meses depois, contudo, recebeu o diagnóstico de câncer de estômago, em estágio terminal, perdendo sua breve luta contra a doença em janeiro de 2005. Capaldi foi um baterista de rock fantástico; vigoroso e simples, com um timing preciso. Mas, em vez de um baterista e percussionista que sabia cantar, ainda que bastante bem, certamente será mais carinhosamente lembrado pelas magníficas canções que escreveu em parceria com Winwood (The Encyclopedia Of Popular Music. Compiled and edited by Colin Larkin. New York: Omnibus Press, 2007, pp. 269-70; tradução livre do inglês).

sábado, 3 de maio de 2014

David Bowie - Live Santa Monica '72


Músico: David Bowie
Disco: Live Santa Monica '72
Ano: 2008(*)
Gênero: Glam Rock, Art Rock, Experimental Rock, Proto-Punk, Blue-Eyed Soul
Faixas:
1. Introduction by B. Mitchell Reed from KMET Radio (0:13)
2. Hang On To Yourself (2:46)
3. Ziggy Stardust (3:22)
4. Changes (3:27)
5. The Supermen (2:55)
6. Life On Mars? (3:27)
7. Five Years (4:32)
8. Space Oddity (5:04)
9. Andy Warhol (3:49)
10. My Death (5:50)
11. The Width Of A Circle (10:43)
12. Queen Bitch (3:00)
13. Moonage Daydream (4:53)
14. John, I'm Only Dancing (3:16)
15. Wating For The Man (5:44)
16. The Jean Genie (4:00)
17. Suffragette City (4:11)
18. Rock 'n' Roll Suicide (3:01)
Músicas de autoria de David Bowie, exceto "My Death", composta por Eric Blau, Mort Shuman e Jacques Brel, e "Waiting For The Man", composta por Lou Reed.
Créditos:
David Bowie: Guitar, Vocals
Mick Ronson: Lead Guitar, Bass Guitar, Vocals
Trevor Bolder: Bass Guitar
Mick "Woody" Woodmansey: Drums
Mike Garson: Keyboards
(*) Gravado ao vivo no Santa Monica Civic Auditorium, em Santa Mônica, Califórnia, EUA, em 20 de outubro de 1972.

Resenha:
Esse concerto, realizado em 20 de outubro de 1972 – foi também a primeira transmissão radiofônica ao vivo em território americano de Bowie –, é uma boa escolha para aqueles que se sentiram inatingidos pela constrangedora música soul e a ausência de Mick Ronson em "David Live" (nota minha: disco do músico, de 1974, gravado ao vivo).
Lançado logo após "Ziggy Stardust", Bowie é capturado aqui no auge do seu poder criativo. Ele não esconde a influência de Lou Reed com a excelente "Waiting For The Man", e as interpretações de "Jean Genie" e "Rock And Roll Suicide" superam as versões de estúdio, graças, em grande parte, ao inimitável Mick Ronson (nota minha: a afirmação não deixa de soar estranha, pois Mick Ronson participou das gravações das músicas em estúdio). "Life On Mars?" e outras canções de "Hunky Dory" podem desapontar um pouco, sem o tecladista Rick Wakeman, que tocou no disco de estúdio de 1971 e que na ocasião do show estava ocupado fazendo sucesso com a Yes. Mas isso é apenas um pequeno contratempo; a banda Spiders mostra-se maravilhosamente aguerrida, sobretudo porque as apresentações ao vivo eram talvez o verdadeiro habitat da sua teatralidade glam (Paul Collins, AllMusic; tradução livre do inglês).

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Manfred Mann - The Five Faces Of Manfred Mann


Banda: Manfred Mann
Disco: The Five Faces Of Manfred Mann
Ano: 1964(*)
Gênero: R&B, Blues-Rock, British Blues, Beat, Progressive Rock, British Invasion, Space Rock, Jazz-Rock
Faixas:
1. Smokestack Lightning (Burnett) 3:31
2. Don't Ask Me What I Say (Jones) 2:59
3. Sack O' Woe (Adderley) 2:05
4. What You Gonna Do? (Jones, Mann) 2:35
5. Hoochie Coochie (Dixon) 3:16
6. I'm Your Kingpin (Mann, Jones) 2:50
7. Down The Road Apiece (Raye) 2:23
8. I've Got My Mojo Working (Foster) 3:11
9. I'ts Gonna Work Out Fine (Seneca, Lee) 2:33
10. Mr. Anello (Hugg, Jones, McGuinness, Vickers) 2:16
11. Untie Me (South) 3:29
12. Bring It To Jerome (Green) 3:28
13. Without You (Jones) 2:20
14. You've Got To Take It (Jones) 1:56
Créditos:
Manfred Mann: Piano, Organ
Mike Vickers: Guitar, Flute, Saxophone
Mike Hugg: Drums, Vibes
Paul Jones: Vocals, Harmonica, Maracas
Tom McGuinness: Bass Guitar
(*) CD lançado em 1997.
  
Biografia:
Durante o boom do beat inglês dos anos 60, encabeçado pelos Beatles, vários grupos de R&B surfaram nas boas ondas com diferentes graus de sucesso. De todos, o maior êxito comercial coube à Manfred Mann. O grupo, inicialmente chamado Mann-Hugg Blues Brothers, nasceu por obra de Manfred Mann (nome verdadeiro: Manfred Lubowitz, nascido em 21 de outubro de 1940, em Joanesburgo, África do Sul; teclados) e Mike Hugg (nascido em 11 de agosto de 1942, em Andover, Hampshire, Inglaterra; bateria e vibrafone). A designação Manfred Mann ocorreu após a adição de Paul Jones (nome verdadeiro: Paul Pond, nascido em 24 de fevereiro de 1942, em Portsmouth, Hampshire, Inglaterra; harmônica e vocal). E mudanças sobrevieram: saiu Dave Richmond (nota minha: baixista e membro original da banda) e ingressaram Mike Vickers (nascido em 18 de abril de 1941, em Southampton, Hampshire, Inglaterra; flauta, guitarra e saxofone) e Tom McGuinness (nascido em 2 de dezembro de 1941, em Wimbledon, Londres, Inglaterra; baixo).
Contratada pela gravadora caça-talentos HMV Records e após lançar um malogrado disco instrumental, a Manfred Mann causou boa impressão com a cativante "Cock-A-Hoop". A execução proeminente da harmônica de Jones forneceu ao grupo uma sonoridade diferenciada, levando-o a notabilizar-se, rapidamente, na Grã-Bretanha. Nada menos do que dois singles seus viraram temas do pioneiro programa musical da televisão britânica "Ready, Steady, Go!". O single "5-4-3-2-1" deu-lhe o primeiro sucesso Top 10 no início de 1964. E, no verão, chegou ao topo das paradas do Reino Unido com a arrebatadora "Do Wah Diddy Diddy".
Nos dois anos seguintes, a banda frequentou as paradas regularmente, com memoráveis sucessos: "Sha La La", "Come Tomorrow", "Oh No Not My Baby" e "If You Got To Go, Go Now", de Bob Dylan. E, em maio de 1966, retornou ao 1° lugar com a sublime "Pretty Flamingo", o último grande sucesso com a participação de Jones, que resolveu seguir carreira solo, abalando a estrutura do grupo, pois as mudanças de pessoal, na época, eram anatemizadas pela mídia e pelos fãs. O retirante cantor foi substituído por Michael D'Abo (nascido em 1 de março de 1944, em Betchworth, Surrey, Inglaterra), ex-Band Of Angels, que suplantou Rod Stewart, reprovado no teste de audição (nota minha: as peças que o destino prega...).
Mike Vickers já havia saído e abraçado uma lucrativa carreira como compositor de televisão. Jack Bruce ocupou-lhe a vaga, com o consequente deslocamento de Tom McGuinness para a guitarra solo, cuja execução o deixava mais satisfeito. Entrementes, Henry Lowther (trompete) e Lyn Dobson (saxofone) ampliaram o lineup por algum tempo, e Bruce cedeu seu posto para Klaus Voormann. D'Abo estreou no grupo com outro sucesso – o primeiro pela gravadora Fontana –, "Just Like A Woman", de Bob Dylan. Para surpresa de muitos críticos, D'Abo se encaixou maravilhosamente no grupo, através da manutenção da fórmula dos sucessos, apesar da partida do carismático Jones. Tanto "Semi-Detached Suburban Mr. James" quanto "Ha! Ha! Said The Clown" tornaram-se formidáveis hits Top 5, na clássica tradição manfrediana.
Ao lado da americana Byrds, a Manfred Mann tem sido apontada como uma das melhores intérpretes do material de Bob Dylan, opinião endossada pelo próprio compositor. Isso evidenciou-se em 1968, quando o grupo chegou, pela terceira vez, ao ápice das paradas com a leitura impressionante da dylaniana "Mighty Quinn". O término da década de 60 registrou uma enxurrada de sucessos Top 10: "My Name Is Jack", "Fox On The Run" e "Raggamuffin Man", antes que a banda abdicasse da sua coroa pop em prol de uma abordagem mais pesada. Seus álbuns sempre foram substanciosos e comprobatórios da destreza considerável de músicos que trabalhavam com números jazzísticos e bluseiros.
A seguir, Mann dedicou-se à formação da banda Chapter Three, misturando jazz e rock, e à extremamente afortunada Manfred Mann's Earth Band. Nos anos 90, a maior parte da banda apresentou-se regularmente como Manfreds. Sem Mann, os ex-integrantes não podiam usar o nome original, e, para o lugar do ex-líder, recrutaram Benny Gallagher (baixo e vocal) e Rob Townsend, anterior baterista da Family. Jones e D'Abo passaram a apresentar-se juntos, dividindo os holofotes, embora Jones, em última análise devido à sua personalidade mais exuberante, ofuscasse o companheiro de palco. Ainda grandemente respeitada, a Manfred Mann remanesce como um dos melhores grupos beat dos anos 60 (The Encyclopedia Of Popular Music. Compiled and edited by Colin Larkin. New York: Omnibus Press, 2007, pp. 900-01; tradução livre do inglês).