1. Indifference [Columbia Records audition recording 1967] (Spence) 2:53
2. Looper [Columbia Records audition recording 1967] (Lewis) 2:37
3. Stop [Demo recording 1967] (Lewis) 2:21
4. Rounder [Instrumental outtake recording from the Moby Grape sessions 1967] (Spence) 2:02
5. Sweet Ride (Never Again) [Unedited version, recorded for the motion picture The Sweet Ride 1967] (Spence, Miller, Mosley, Stevenson, Lewis) 5:56
6. Loosely Remembered [Demo recording 1967] (Mosley) 3:26
7. The Place And The Time [Alternate version from the Wow album sessions 1967] (Miller, Stevenson) 2:25
8. Bitter Wind [Demo recording 1967] (Mosley) 2:48
9. Seeing [Alternate version from the Wow album sessions 1968] (Spence) 5:12
10. What's To Choose [Alternate version from the Wow album sessions 1968] (Lewis) 2:01
11. Soul Stew [Outtake recording from the Moby Grape '69 album sessions 1968] (Mosley) 2:19
12. If You Can't Learn From My Mistakes [Demo recording 1968] (Lewis) 1:25
13. You Can Do Anything [Demo recording 1967] (Spence) 3:37
14. Skip's Song [Demo recording 1967] (Spence) 3:29
15. It's A Beautiful Day Today [Demo recording 1968] (Mosley) 4:14
16. What's To Choose [Demo recording 1967] (Lewis) 3:21
17. Hoochie [Demo recording 1968] (Mosley) 3:20
18. Big [Demo recording 1968] (Miller, Stevenson) 2:31
19. Rounder [Live recording 1968] (Spence) 2:02
20. Miller's Blues [Live recording 1968] (Miller, Mosley) 6:07
21. Changes [Live recording 1968] (Miller, Stevenson) 4:18
22. Looper [Demo recording 1967] (Lewis) 2:08
23. Soul Stew [Instrumental outtake recording from the Moby Grape '69 album sessions 1968] (Mosley) 2:20
24. Cockatoo Blues (Tongue-Tied) [Demo recording 1968] (Miller, Spence) 3:41
(*) Segundo consta no encarte do CD, o disco é uma compilação de material original inédito, gravado entre 1967 e 1968 e composto por sobras de estúdio, versões ao vivo e alternativas e demos.
Disco:
Historic Live Moby Grape Performances 1966-1969
Ano: 2010
Faixas:
1. Ain't No Use [Avalon Ballroom, San Francisco, 1967] (Miller, Stevenson) 1:33
2. Rounder [Avalon Ballroom, San Francisco, 1967] (Spence) 2:00
3. Looper [Avalon Ballroom, San Francisco, 1967] (Lewis) 2:24
4. Bitter Wind [Avalon Ballroom, San Francisco, 1967] (Mosley) 1:47
5. Changes [Avalon Ballroom, San Francisco, 1967] (Miller, Stevenson) 4:36
6. Indifference [Avalon Ballroom, San Francisco, 1967] (Spence) 2:47
7. Someday [Avalon Ballroom, San Francisco, 1967] (Miller, Spence, Stevenson) 3:21
8. Introduction [Monterey International Pop Festival, 1967] (1:18)
9. Indifference [Monterey International Pop Festival, 1967] (Spence) 3:16
10. Mr. Blues [Monterey International Pop Festival, 1967] (Mosley) 1:52
11. Sitting by the Window [Monterey International Pop Festival, 1967] (Lewis) 2:55
12. Omaha [Monterey International Pop Festival, 1967] (Spence) 2:53
13. Sweet Little Angel [San Francisco, 1967] (King, Taub) 4:50
14. Murder in My Heart for the Judge [RAI, Amsterdam, Netherlands, 1969] (Miller, Stevenson) 4:51
15. I Am Not Willing [RAI, Amsterdam, Netherlands, 1969] (Lewis) 5:31
16. Trucking Man [RAI, Amsterdam, Netherlands, 1969] (Mosley) 2:05
17. Fall on You [RAI, Amsterdam, Netherlands, 1969] (Lewis) 2:13
18. Omaha [RAI, Amsterdam, Netherlands, 1969] (Spence) 6:04
19. Dark Magic [Avalon Ballroom, San Francisco, 1966] (Spence) 17:27
Créditos:
Jerry Miller: Guitar, Vocals
Peter Lewis: Guitar, Vocals
Alexander "Skip" Spence: Guitar, Vocals
Bob Mosley: Bass, Vocals
Don Stevenson: Drums, Vocals
Resenha:
A Moby Grape produziu vários bons álbuns no seu dia a dia, mas somente um inigualavelmente ótimo (o seu clássico disco de estreia, de 1967), e ter realizado o seu feito numa gravação de estúdio parecia uma situação traiçoeira. Mas o grupo conseguiu, com sobra, driblar as aparências, a julgar pelos sinais emanados deste disco. Apresentando material de cinco concertos, abrangendo um período que antecede o primeiro álbum e termina pouco antes da gravação de "Truly Fine Citizen" (o álbum que precedeu à sua primeira ruptura), "Moby Grape Live: Historic Live Moby Grape Performances" capta a energia e o espírito da banda e as músicas que o grupo lançou durante o seu apogeu. A coleção começa com sete canções, registradas num show de 1967 no Avalon Ballroom, em São Francisco, Califórnia, e se as performances não conseguem a precisão que a banda alcançou em estúdio, a interação entre os guitarristas Peter Lewis, Jerry Miller e Skip Spence é emocionante e repleta de imaginação, enquanto as harmonias dos cinco integrantes são incríveis e caracterizam, de maneira impressionante, o poder de fogo da banda. Em seguida, vem o primeiro lançamento autorizado da curta apresentação da banda no Monterey International Pop Festival, de 1967, e embora pudesse ter sido aconselhado a começar com algo mais excitante do que "Indifference" e "Mr. Blues", o grupo está em boa forma e bota pra quebrar com "Omaha". Depois de um
tour de force bluseiro em "Sweet Little Angel", de 1967, que deixa bastante espaço para solos de guitarra, o álbum pula para 1969, com uma sessão de cinco músicas gravadas para a RAI Radio durante uma parada de uma turnê na Holanda. A esta altura, Spence estava fora da Moby Grape, mas se há um pouco menos de eletricidade na banda, a paixão ainda está lá, as harmonias são perfeitas, "Trucking Man" é um rock furioso, e a versão estendida de "Omaha" mostra que o grupo ainda tinha alguns novos truques para o seu repertório clássico. E, finalmente, uma fita de 1966, gravada no Avalon Ballroom, desenterra a até então não registrada "Dark Magic", um exercício épico de guitarra, que dura mais de 17 minutos nessa versão. Dado que a concisão foi uma das grandes virtudes da Moby Grape, um quarto de hora de uma guitarra alucinada não parece condizente com o seu desempenho, mas se "Dark Magic" é um pouco sinuosa, a integração entre os músicos resulta pouco menos do que surpreendente, e eles mostram fôlego suficiente para adorná-la com volteios de modo a torná-la excitante. Embora o trabalho da Moby Grape em estúdio possa oferecer uma imagem mais clara da força de suas canções, "Historic Live Moby Grape" realiza o excelente trabalho de revelar o que a tornou uma grande banda, e as melhores faixas aqui devem levar qualquer fã sério do rock do final dos anos 60 a reafirmar o status da Moby Grape como uma das bandas mais importantes do seu tempo (Mark Demming,
AllMusic; tradução livre do inglês).
Disco:
Vintage: The Very Best Of Moby Grape
Ano: 1993
Disc One
1. Hey Grandma (Miller, Stevenson) 2:44
2. Mr. Blues (Mosley) 2:00
3. Fall On You (Lewis) 2:50
4. 8:05 (Miller, Stevenson) 2:33
5. Come In The Morning (Mosley) 2:17
6. Omaha (Spence) 2:45
7. Naked, If I Want To (Miller) 0:57
8. Rounder [Instrumental] [Previously Unreleased] (Spence) 2:03
9. Someday (Miller, Spence, Stevenson) 3:31
10. Ain't No Use (Miller, Stevenson) 1:40
11. Sitting By The Window (Lewis) 2:47
12. Changes (Miller, Stevenson) 3:24
13. Lazy Me (Mosley) 1:47
14. Indifference (Spence) 4:15
15. Looper [Audition Version] [Previously Unreleased] (Lewis) 2:39
16. Sweet Ride [Previously Unreleased] (Mosley, Lewis, Spence, Stevenson, Miller) 3:12
17. Bitter Wind [Alternate Version] [Previously Unreleased] (Mosley) 2:39
18. The Place And The Time [Alternate Version] [Previously Unreleased] (Miller, Stevenson) 2:24
19. Rounder [Live] [Previously Unreleased] (Spence) 2:02
20. Miller's Blues [Live] [Previously Unreleased] (Miller) 6:07
21. Changes [Live] [Previously Unreleased] (Miller, Stevenson) 4:21
22. Hey Grandma [Mono Single Version] (Miller, Stevenson) 2:33
23. Omaha [Mono Single Version] (Spence) 2:23
24. Big [Previously Unreleased] (Miller, Stevenson) 4:44
Disc Two
1. Skip's Song ["Seeing" Demo] [Previously Unreleased] (Spence) 3:24
2. You Can Do Anything [Demo] [Previously Unreleased] (Spence) 2:50
3. Murder In My Heart For The Judge (Miller, Stevenson) 2:59
4. Bitter Wind (Mosley) 3:07
5. Can't Be So Bad (Miller, Stevenson) 3:26
6. Just Like Gene Autry: A Foxtrot [Featuring Lou Waxman and his Orchestra; and starring Arthur Godfrey, banjo and ukulele] (Spence) 2:56
7. He (Lewis) 3:38
8. Motorcycle Irene (Spence) 2:26
9. Funky-Tunk (Spence) 2:13
10. Rose Colored Eyes (Mosley) 4:20
11. If You Can't Learn From My Mistakes [Peter Solo Version] [Previously Unreleased] (Lewis) 1:26
12. Ooh Mama Ooh (Stevenson, Miller) 2:28
13. Ain't That A Shame (Miller, Stevenson, Lewis) 2:30
14. Trucking Man (Mosley) 2:02
15. Captain Nemo (Stevenson, Miller) 1:46
16. What's To Choose (Lewis) 1:57
17. Going Nowhere (Stevenson, Miller) 2:04
18. I Am Not Willing (Lewis) 3:00
19. It's A Beautiful Day Today (Mosley) 3:08
20. Right Before My Eyes (Lewis) 2:05
21. Truly Fine Citizen (Dell'Ara) 1:49
22. Hoochie (Mosley) 4:25
23. Soul Stew [Previously Unreleased] (Mosley) 2:20
24. Seeing (Spence) 8:07
Créditos:
Jerry Miller, Peter Lewis, Alexander "Skip" Spence: Guitar, Vocals
Bob Mosley: Bass, Vocals
Don Stevenson: Drums, Vocals
Biografia:
Uma das melhores bandas sessentistas de São Francisco, Califórnia, EUA, a Moby Grape mostrou também muita versatilidade. Embora usualmente identificada com a cena psicodélica, sua especialidade consistiu em combinar todos os tipos de música de raiz – folk, blues, country e rock-and-roll clássico – com um pouco de "paz e amor" e arranjos multifacetados para três guitarras. Todavia, todos esses elementos só se aglutinaram de verdade no primeiro LP do grupo, de 1967. Malgrado os álbuns subsequentes tenham ficado acima da média, uma combinação de problemas pessoais e mau gerenciamento destroçou a banda ao término dos anos 60.

Muitas bandas de São Francisco, na época, nasceram pela ação de pessoas recém-chegadas na área, mas a Moby Grape possuía um vínculo quase inexistente com a região quando ali se instaurou. Matthew Katz, empresário da Jefferson Airplane no seu início, contribuiu para modelar a Moby Grape em torno de Skip Spence. Spence, um lendário maluco canadense, guitarrista a princípio, acabou tocando bateria, instigado por Marty Balin, no primeiro lineup da Airplanes. Deixou-a, porém, após o lançamento do primeiro disco da banda, voltando a empunhar a guitarra e a compor quando se integrou à Grape (a Airplane já gravara algumas composições suas). Completavam a formação da Grape: o guitarrista Jerry Miller e o baterista Don Stevenson, ambos ex-membros da Fantics, uma banda boêmia do noroeste; o guitarrista Peter Lewis, ex-integrante de bandas associadas à cultura surfista no sul da Califórnia, entre as quais a Cornells; e o baixista Bob Mosley, que também tocara com grupos do sul californiano.

A desconvivência entre os seus membros pode ter fomentado os futuros problemas do grupo, mas o entrosamento deles ocorreu com surpreende rapidez, e o quinteto contribuiu, de forma mais ou menos igualitária, na feitura das músicas do primeiro e homônimo disco da Grape (1967). "Moby Grape" remanesce como o definitivo legado da banda, embora as canções folk e country tenham funcionado melhor do que os boogies; "Omaha", "Sittin' by the Window", "Changes" e "Lazy Me" estampam a nata do seu repertório. A Columbia Records, porém, prejudicou-lhe a credibilidade, ao lançar, simultaneamente, nada menos do que cinco singles do disco longo. Pra piorar, três membros da banda foram presos por transarem com garotas menores. Apesar da retirada das acusações, os transtornos legais daí advindos, aliados a uma relação cada vez mais tensa com o empresário Katz, desestabilizaram a unidade do conjunto.

O duplo LP "Wow", lançado na sequência de "Moby Grape", retratou um dos álbuns mais decepcionantes dos anos 60, devido à alta expectativa gerada pelo debute da banda. As gravações de estúdio de "Wow" continham muitas canções irregulares – bem mais do que "Moby Grape" – e a destreza instrumental e vocal dos músicos deixou a desejar. O disco "bônus", preenchido com jams ruins, caracterizou-se como puro desperdício. Spence saiu enquanto o álbum estava sendo gravado em Nova Iorque, em 1968, em decorrência do famoso incidente em que ele entrou no estúdio com um machado de bombeiro, aparentemente com a intenção de usá-lo em Stevenson. Internado no Bellevue Hospital, em Nova Iorque, Spence reapareceu para gravar um maravilhoso disco solo, repleto de ardentes canções folk, em 1968, mas que se mostraria seu único, ainda que notável, trabalho pós-Grape; ele lutou contra uma doença mental até morrer, em 1999.

A Grape sofreu outro golpe inesperado com o alistamento voluntário de Mosley na Marinha, no começo de 1969, embora o baixista fizesse parte de uma banda surgida no cenário psicodélico de Haight-Ashbury, o que se configuraria, em tese, uma contradição de valores. O grupo se empenhou e lançou mais um par de discos em 1969, sendo que as melhores faixas dos álbuns (particularmente de "Moby Grape '69") provaram que a banda ainda dispunha de bala na agulha, em que pese a sonoridade mais palatável e primitiva, em comparação com seu antigo material. A Grape se desmanchou no fim dos anos 60. Todavia, seus fundadores a reativaram, periodicamente, nas duas décadas seguintes, para a gravação de alguns discos solenemente ignorados, tendo, ainda, pra culminar, de lançar mão de outras denominações, pois se acham impedidos de usar o nome Moby Grape, cujos direitos autorais pertencem a Matthew Katz (Richie Unterberger,
AllMusic; tradução livre do inglês).