Bent Hesselmann: Flute (faixa 4), Saxophone (faixas 5-7)
Peter Thorup: Guitar & Vocals (faixas 4-7), Harmonica (faixa 7)
(*) Gravado ao vivo em programas de rádios dinamarquesas, nos dias 22 julho de 1969 (faixa 1), 7 de fevereiro de 1970 (faixas 2 e 3) e 13 de março de 1970 (faixas 4 a 7).
Biografia:
A biografia da banda já foi postada aqui, juntamente com o disco "Take Warning: The Complete Studio Recordings", de 2012.
9. Tonight I'll Be Staying Here With You [Live] (Dylan) 3:24
10. Won't You Sit Down [Live] (Young Flowers, Skousen) 7:06
Créditos:
Peter Ingemann: Bass, Vocals
Peer Frost: Guitar, Vocals
Ken Gudman: Drums
Jens Dahl: Guitar ("Like Birds", "City Of Friends")
Biografia:
Frequentemente citada como uma das primeiras bandas genuínas de rock psicodélico surgidas na Dinamarca nos anos 60, a Young Flowers era um power trio fortemente influenciado por Cream e Jimi Hendrix Experience. Foi criada em Copenhague, no ano de 1967, por Jens Dahl, guitarrista, Ken Gudman, baterista (ambos ex-membros da Defenders), e Peter Ingemann, baixista e cantor, que trabalhara anteriormente com a Seven Sounds.
"Like Birds", seu primeiro single, surgiu no outono de 1967. Em seguida, Dahl deixou a banda, e Peer Frost, que tinha tocado guitarra com Les Rivals, juntou-se ao trio. Em 1968, o grupo fez uma longa pausa, preenchida com a composição da trilha sonora de uma série para a televisão, estrelada pelo ator e escritor dinamarquês Thomas Winding. A maioria das músicas do seu primeiro disco, "Blomsterpistolen" (que significa "Armas de Flores"), saiu da série homônima, acima referida. O álbum influenciou fortemente o cenário roqueiro dinamarquês, na época dominado por grupos de folk e pop rock.
Um segundo disco, chamado simplesmente "N° 2", apareceu em 1969. O grupo também compôs várias músicas para a trilha sonora da adaptação cinematográfica do romance Quiet Days In Clichy, de Henry Miller, dirigida por Jens Jorgen Thorson. E tornou-se a primeira banda dinamarquesa a excursionar pela América do Norte, realizando uma série de shows nos Estados Unidos e no Canadá. Todavia, os interesses musicais dos seus integrantes diversificaram-se, gerando a extinção do grupo em 1970. Peer Frost tocou com os grupos Midnight Sun e Savage Rose; Ken Gudman uniu-se à Culpepper's Orchard, e Peter Ingemann à No Name. A popularidade da Young Flowers e sua importância histórica trouxeram seus discos de volta à Dinamarca, em relançamentos, além de material de arquivo. Em 2012, a gravadora britânica RPM editou "Take Warning: The Complete Studio Recordings" (Mark Deming, AllMusic; tradução livre do inglês).
Peter Hecht: Piano, Organ, Moog Synthesizer, Fender Rhodes
Dieter Horns: Bass, Background Vocals
Herbert Bornhold: Drums, Percussion, Background Vocals
Músicos adicionais:
Bob Lanese, Heinz Habermann, Manfred Moch: Trumpet
Stefan v. Dobrzynski: Tenor Sax
Herb Geller: Alto Sax, Soprano Sax Solo (faixa 1), Flute (faixa 4)
Karl-Herrmann Lüer: Baritone Sax
Waldemar Erbe, Wolfgang Ahlers, Heins Reese, Günter Fulisch: Trombone
Franz Behle: Oboe
Rolf Lind: French Horn
Klaus Holle: Flute
Heinz Alves: English Horn
Wilfried Schoberanzky: Bassoon
Dave Brian, Sheila McKinley, Elvira Herbert: Choir
Fritz Köhnsen, Günter Klein, Günther Zander, Heinz Donocik, Senia Daschewski, Ingeborg Kaufmann, Otto Kaufmann, Helmut Jochens, Helmut Rahn, Reinhold Gabriel: Violin
Bruno Korzuschek, Werner Knupke, Günter Grünig: Viola
Luigi Schaufuß, Kurt Donocik, Walter Hillinghaus: Violincello
(*) CD lançado em 1994.
Biografia:
A biografia da banda já foi postada aqui, juntamente com o disco "Lucifer's Friend [Bonus Tracks]", de 1999.
Músicas de autoria de Chris Mayfield, salvo "Life's Been Good To Me", composta por Chris Mayfield e Mox Gowland.
Créditos:
Chris Mayfield: Guitar, Lead Vocals
Sean Jenkins: Drums
Steve Bradley: Bass, Harmony Vocals
Pete Saunders: Keyboards, Harmony Vocals
"Moxie" Gowland: Harmonica, Flute
PP Arnold: Backing Vocals (faixas 3, 10)
Henry Spinetti: Drums (faixas 2, 6)
Chris Hunt: Drums (faixa 11)
(*) LP lançado originalmente em 1970.
Resenha:
Chris Mayfield – que não tem nenhum parentesco com Percy ou Curtis Mayfield – é um bluesman que ainda está vivo e mandando ver, ao contrário dos dois artistas antes mencionados.
Este disco é o primeiro relançamento, através de uma gravadora italiana (nota minha: a Night Wings Records), do álbum homônimo da Mayfields Mule, lançado pela EMI-ODEON em 1969-70 (nota minha: somente no Uruguai, não se sabe por quê).
Além de PP Arnold, que participa em duas faixas fazendo vocais de apoio, o mais famoso colaborador do disco é o engenheiro de som, um tal de Alan Parsons. Mas o nome que vem à mente ao ouvir as músicas é a Deep Purple pré-Ian Gillan, então pertencente à mesma gravadora de Mayfield.
O órgão Hammond ganha destaque no álbum, assim como o timbre de Mayfield, ao estilo Chris Farlowe, cantando as canções de sua autoria, mas também se percebe um clima creedenceniano em faixas como "Drinking My Moonshine", que revelam o talento do frontman como guitarrista. "Drinking My Moonshine" formou o lado A do single lançado na ocasião. Mas, se, por um lado, as onze faixas do álbum são meritórias, por outro, faltou-lhes um plus, entre 10% a 20%, de composição e musicalidade que as tornaria memoráveis. Talvez a EMI-ODEON pensasse que a Purple devesse gravá-las…
Mayfield acaba de lançar o álbum "Standing In The Light" (nota minha: de 2007), também pela Night Wings Records, que contém material com qualidade suficiente para que se qualifique o músico como cult. Espera-se que ele siga em frente por muito tempo... (Michael Heatley, Record Collector; tradução livre do inglês).
Jimmy McCulloch: Acoustic, Rhythm, Electric, Lead & Spanish Guitars, Maracas, Wood Block
Andy Newman: Piano, Soprano & Bass Saxophones, Oboe, Tin Whistle, Glockenspiel, Kazoo, Cor Anglais, Bengali Flute, Japanese Battle Cymbals, Indian Finger Cymbals, Hand Bells, Sleigh Bells, Chinese Temple Block
Chris Morphet: Harmonica (faixas 5, 6)
(*) LP lançado originalmente em 1970.
Biografia:
Não obstante o cantor e compositor Speedy Keen (nome verdadeiro: John Keen, nascido no dia 29 de março de 1945, em Ealing, Londres, Inglaterra, e morto no dia 21 de março de 2002) tenha escrito grande parte do material dessa efêmera banda, o que chamava a atenção no grupo era a excêntrica e antiquada aparência do pianista Andy "Thunderclap" Newman.
O guitarrista Jimmy McCulloch (nascido no dia 4 de junho de 1953, em Glasgow, Escócia, e morto no dia 27 de setembro de 1979, em Londres, Inglaterra) completou o lineup original responsável pelo single "Something In The Air", uma sublime e estimulante canção, que se transformou no poderoso hit do verão de 1969 no Reino Unido. A produção do single coube a Pete Townshend, para quem Keen já trabalhara como motorista (a música "Armenia City In The Sky", composta por Keen, constou no disco "The Who Sell Out", de 1967, da Who). O álbum "Hollywood Dream" pressagiava um bom futuro, realçando a visão surrealista de Keen e a boa execução do piano de saloon de Newman, mas o longo adiamento na seleção de um single posterior minou as pretensões da banda.
O single finalmente aprovado, "Accidents", mostrou-se uma excelente escolha, mas aí já se consumara a solução de continuidade. A despeito da adição de dois novos membros – Jim Avery (baixo) e Jack McCulloch (bateria) –, a Thunderclap Newman não conseguia soar satisfatoriamente ao vivo, e, carente de sucesso comercial, acabou se dissolvendo. Speedy Keen e Andy Newman abraçaram carreiras solos, Jack McCulloch se integrou à Andwella's Dream, ao passo que Jimmy McCulloch se juntou primeiro à Stone The Crows e depois à Wings (The Encyclopedia Of Popular Music. Compiled and edited by Colin Larkin. New York: Omnibus Press, 2007, p. 1395; tradução livre do inglês).
23. Long Chocolate Limousine [Bonus Track] (Fairweather-Low) 3:14
Créditos:
Andy Fairweather-Low: Vocals
Neil Jones: Lead Guitar
Blue Weaver: Keyboards
Clive Taylor: Bass
Dennis Bryon: Drums
Alan Jones: Baritone Saxophone
Mike Smith: Tenor Saxophone
Biografia:
Formado em Cardiff, País de Gales, no ano de 1966, esse septeto de R&B compreendia Andy Fairweather-Low (nome verdadeiro: Andrew Fairweather-Low, nascido no dia 2 de agosto de 1948, em Ystrad Mynach, Hengoed, País de Gales; vocais), Blue Weaver (nome verdadeiro: Derek John Weaver, nascido no dia 11 de março de 1947, em Cardiff, Glamorgan, País de Gales; órgão), Neil Jones (nascido no dia 25 de março de 1949, em Llanbradach, País de Gales; guitarra), Clive Taylor (nascido no dia 27 de abril de 1949, em Cardiff, Glamorgan, País de Gales; baixo), Allan Jones (nascido no dia 6 de fevereiro de 1947, em Swansea, Glamorgan, País de Gales; saxofone barítono), Mike Smith (nome verdadeiro: Michael Joseph Smith, nascido no dia 4 novembro de 1947, em Neath, Glamorgan, País de Gales; saxofone tenor) e Dennis Bryon (nascido no dia 14 de abril de 1949, em Cardiff, Glamorgan, País de Gales; bateria), todos veteranos de bandas galesas.
O grupo, que tirou seu nome de uma peça de James Baldwin, publicada em 1954, assinou com a Deram Records em maio de 1967. Após chegar ao Top 20 britânico, três meses depois, com o clássico "Gin House Blues", Fairweather-Low virou uma atração e a banda velozmente colheu outros frutos comerciais com uma sucessão de sucessos no Reino Unido, incluindo "The World Of Broken Hearts" (24° lugar), "Bend Me, Shape Me" (3° lugar) – cover da American Breed – e "High In The Sky" (6° lugar).
Mas a imprensa não revelava a intensa disputa de poder em torno dos direitos autorais gerados pela banda e as táticas ameaçadoras usadas pelo empresário Don Arden para proteger seu suposto patrimônio.
Depois de todo esse imbróglio, a banda transferiu-se para a Immediate Records, pertencente a Andrew Loog Oldham, e atingiu, pela primeira vez, o topo das paradas britânicas com "(If Paradise Is) Half As Nice", no começo de 1969. Na sequência de um derradeiro Top 5 no Reino Unido, através da energética "Hello Susie", o grupo dispersou-se. Ironicamente, o término de sua carreira foi marcado pelo anticlímax sugerido pelo título do inapropriado cover de "Get Back", dos Beatles. Fairweather-Low, Weaver, Bryon, Taylor e Neil Jones criaram a Fair Weather, que durou até o vocalista dedicar-se à sua carreira solo. Blue Weaver foi parar na Strawbs, fazendo os teclados luzirem no disco "Grave New World", de 1972, lançado pela sua nova banda. Jones e Smith, que integravam o naipe de metais da Amen Corner, fundaram, ao lado de Andy Bown, a Judas Jump. Nas décadas seguintes, vários lineups da Amen Corner frequentaram o roteiro saudosista do rock (The Encyclopedia Of Popular Music. Compiled and edited by Colin Larkin. New York: Omnibus Press, 2007, pp. 55-6; tradução livre do inglês).
Músico: Tim Buckley
Disco: Greetings From L.A.
Ano: 1972(*)
Gênero: Folk-Rock, Psychedelic Rock
Faixas:
1. Move With Me (Buckley, Goldstein) 4:52
2. Get On Top (Buckley) 6:33
3. Sweet Surrender (Buckley) 6:47
4. Nighthawkin' (Buckley, Beckett) 3:21
5. Devil Eyes (Buckley) 6:50
6. Hong Kong Bar (Buckley, Falsia) 7:08
7. Make It Right (Buckley, Falsia, Goldstein, Beckett) 4:07
Créditos:
Tim Buckley: Vocals, 12 String Guitar
Chuck Rainey: Bass
Joe Falsia: Guitars
Ed Greene: Drums
Paul Ross Novros, Eugene E. Siegel: Saxophone (faixa 1)
Kevin Kelly: Piano (faixa 1), Organ (faixas 2, 5)
Clydie King, Venetta Fields, Lorna Maxine Wilard: Vocals (faixas 1, 4)
Carter C. C. Collins: Conga (faixas 2, 4)
William Kurasch, Louis Kievman, Robert Conrad: Violin (faixas 3, 7)
Ralph Schaffer, Harry Hyams: Viola (faixas 3, 7)
Jesse Ehrilch: Cello (faixas 3, 7)
King Erisson: Conga (faixas 3, 5)
Jerry Goldstein: Hand Clap (faixa 6)
Reinhold Press: Bass (faixa 7)
(*) CD lançado em1989.
Biografia:
Tim Buckley (nome verdadeiro: Timothy Charles Buckley III, nascido no dia 14 de fevereiro de 1947, em Washington, DC, EUA, e morto no dia 29 de junho de 1975, em Santa Mônica, Califórnia, EUA), talentoso e iluminado músico, começou sua carreira solo nas casas noturnas dedicadas ao folk, em Los Angeles, Califórnia.
Ele foi descoberto pelo empresário Herb Cohen, que lhe assegurou um contrato com a respeitada gravadora Elektra Records. O disco "Tim Buckley", de 1966, apresentou o artista como um experimentado cantor e compositor folk, mas sua visão musical intensificou-se de verdade no álbum "Goodbye And Hello", lançado no ano seguinte. Destacando-se por arranjos agora considerados superelaborados, "Goodbye And Hello" contém "Morning Glory", uma das canções mais evocativas de Buckley, bem como a imprescindível "I Never Asked To Be Your Mountain", exibindo uma performance pulsante que sinalizava as inclinações futuras do vocalista.
Em "Happy Sad", de 1968, Buckley abandonou o uso da metáfora poética, que caracterizou o disco precedente, criando uma sonoridade sutil e mais intimista. No campo lírico, "Happy Sad" mostrou o desfazimento da antiga parceria com o letrista Larry Beckett, e, no terreno musical, apresentou Lee Underwood (guitarra) e David Friedman (vibrafone) esculpindo um pano de fundo harmonioso às canções muito pessoais e melancólicas de Buckley. O estilo expansivo manteve-se em "Blue Afternoon" e "Lorca", porém, enquanto o primeiro abrangia interpretações atormentadas e melodiosas de folk-jazz, o segundo retratava um caminho radicalmente centrado no experimentalismo.
O entusiasmo pela improvisação inspirou a informal gravação de "Starsailor", de 1970, um disco comedido, quase atonal, no qual a voz de Buckley funcionou como um instrumento extra numa série de músicas avant-garde. O álbum incluiu a delicada "Song To The Siren", que foi regravada com sucesso, em 1983, pela banda britânica This Mortal Coil.
Passando a ser encarado como um artista inconvencional, o desiludido Buckley teve que procurar emprego, indo parar como motorista do músico Sly Stone. Por ironia do destino, Buckley deixou-se influenciar pelo ritmo funk executado pelo seu "patrão", e, ao retornar ao mercado fonográfico, em 1972, lançou "Greetings From L.A.", um álbum que reverencia a música negra contemporânea.
Francamente erótico, o disco foi um sucesso comercial, o mesmo não acontecendo, todavia, com os dois discos posteriores, que tiveram êxito apenas relativo.
Tim Buckley morreu em junho de 1975, após ingerir um coquetel fatal de heroína e morfina. Seu prestígio aumentou durante a década seguinte, e a coletânea "Dream Letter (Live In London 1968)", de 1990, contendo apresentações do cantor em Londres no ano de 1968, revelou-se uma soberba homenagem à sua apaixonada criatividade. O interesse por Buckley renovou-se no final dos anos 90, quando muitos dos seus discos foram relançados em CD, e também pelo sucesso do seu filho, Jeff Buckley, perante a crítica especializada. Uma definitiva compilação, editada pela Rhino Records, surgiu em 2001 (The Encyclopedia Of Popular Music. Compiled and edited by Colin Larkin. New York: Omnibus Press, 2007, p. 242; tradução livre do inglês).
Gênero: Blues-Rock, Art Rock, Progressive Rock, Jazz-Rock, Fusion
Faixas:
1. The Kettle (Heckstall-Smith, Hiseman) 4:22
2. Elegy (Litherland) 3:10
3. Butty's Blues (Litherland) 6:43
4. The Machine Demands A Sacrifice (Litherland, Heckstall-Smith, Litherland, Brown, Hiseman) 3:53
5. The Valentyne Suite: Theme One - January's Search (Greenslade, Hiseman); Theme Two - February's Valentyne (Greenslade, Hiseman); Theme Three - The Grass Is Always Greener (Heckstall-Smith, Hiseman) 16:49
19. No Girl Gonna Cry [Original Mix] (Bonniwell) 2:25
20. Smoke & Water [Original Mix] (Bonniwell) 3:16
Créditos:
Sean Bonniwell: Lead Vocal, Rhythm Guitar, Horn
Mark Landon: Lead Guitar
Doug Rhodes: Keyboards, Bass, Flute, Horn, Vocals
Keith Olsen: Bass, Guitar, Vocals
Ron Edgar: Drums, Vocals
(*) LP lançado originalmente em 1966.
Biografia:
Famosa por "Talk Talk", um single Top 20 de 1966, que foi um dos maiores xodós dos maníacos pela música punk garageira dos anos 60, a Music Machine possuía muito mais intensidade – além de um talentoso compositor –, se comparada aos típicos grupos de um sucesso só da época. As letras prolixas, sufocantes e sombrias do vocalista e compositor Sean Bonniwell ditavam o ritmo nervoso das guitarras impetuosas e psicodélicas do grupo, secundadas pelo órgão Farfisa. Bonniwell, nascido em São José, Califórnia, EUA, cogitou formar seu primeiro grupo quando ainda era estudante do ensino médio, no fim dos anos 50, após ouvir "Only You" cantada pelos Platters. Aproximando-se, posteriormente, da música folk, tocou guitarra nas bandas Noblemen e Wayfarers (que pertenceu ao cast da gravadora RCA Victor), no começo dos anos 60.
Todavia, na metade da década sessentista, com o declínio do folk revivalista (junto ao Wayfarers Trio, ele viu a British Invasion atingir o topo, ao passo que o folk rock estava à beira de implodir ao seu redor), Bonniwell formou a Ragamuffins, na companhia do baixista Keith Olsen e do baterista Ron Edgar (mais tarde integrante do grupo folk pop Goldebriars). Depois o trio evoluiu para um quinteto com a adição do organista e pianista Doug Rhodes e o segundo guitarrista Mark Landon. Em 1966, os membros da Ragamuffins adotaram uma versão mais radical do corte de cabelo beatlesiano, incorporando roupas pretas à sua imagem (a par de usarem uma única luva de couro preta, marca registrada de Boniwell) e rebatizando a banda com o nome Music Machine, muito mais sugestivo. Bonniwell dominou o grupo, com sua excepcional habilidade como compositor, e exerceu sua liderança com austeridade; muito rigoroso com a forma de tocar e com o processo de gravação, após três LPs com o Wayfarers Trio, Boniwell, em conduta incondizente com a maioria dos grupos concorrentes da época, fazia a Music Machine ensaiar por longos períodos. Mais importante ainda: ele estimulou os outros membros da banda a aperfeiçoarem-se, fugindo do obsoletismo, e todos tornaram-se músicos de primeira classe; o órgão Farfisa de Rhodes e o baixo de Olsen casaram-se perfeitamente ao intenso e melancólico vocal de Boniwell. Daí surgiu uma sonoridade – conforme demonstrado nos seus melhores singles e nos melhores momentos do seu solitário LP – que exibia um afiado punk garageiro adequado à programação das rádios. O grupo associou-se ao produtor Brian Ross, que estreou com o single "Talk Talk", lançado pela Original Sound.
Essa alucinante e explosiva canção punk garageira de 1 minuto e 56 segundos, lançada no encerramento do ano de 1966, chegou ao 15° lugar das paradas e projetou a banda nacionalmente (implicando mais de uma dúzia de aparições no programa de televisão American Bandstand, segundo Bonniwell). Mas o grupo nunca fabricou outro sucesso do mesmo calibre. O lineup original gravou apenas um disco longo, e a arrebatada energia da banda diluiu-se nos álbuns subsequentes. Apesar de emplacar somente mais um hit ("The People In Me"), e mesmo assim relativo, a Music Machine gravou um bocado de singles excelentes, criativamente produzidos, isso sem falar nas faixas do álbum, que exploraram o lado sombrio da psicodelia com atraente entusiasmo e imaginação. Contudo, má gestão e algumas decisões incrivelmente ruins conduziram-na à ruína, mas Boniwell ainda permanece como um músico lendário no século XXI, e "Talk Talk" é considerada um clássico do punk garagem. Extinta a banda, Keith Olsen passou para a produção de discos, tendo trabalhado com Emitt Rhodes e outros antes de tirar a sorte grande ao produzir o multipremiado disco homônimo da Fletwood Mac, entregue às lojas em 1975. Mark Landon, ao que parece, abandonou a música após atuar com Boniwell & cia., mas Doug Rhodes e Ron Edgar ficaram entrando e saindo do raio de ação do produtor Curt Boettcher (igualmente um ex-membro da Goldebriars) através de grupos como Sagittarius e Millennium, enquanto Edgar participou como baterista no disco homônimo da Bread (Richie Unterberger, AllMusic; tradução livre do inglês).
Gênero: Blues-Rock, British Blues, Hard Rock, British Invasion, Psychedelic Rock
Faixas:
Disc One (Remastered Studio Album)
1. Miss You (4:48)
2. When The Whip Comes Down (4:21)
3. Just My Imagination (Running Away With Me) (4:38)
4. Some Girls (4:37)
5. Lies (3:11)
6. Far Away Eyes (4:24)
7. Respectable (3:07)
8. Before They Make Me Run (3:25)
9. Beast Of Burden (4:25)
10. Shattered (3:46)
Músicas de autoria de Mick Jagger e Keith Richards, exceto "Just My Imagination (Running Away With Me)", composta por Norman Whitfield e Barrett Strong.
Créditos:
Mick Jagger: Lead Vocal, Backup Vocals, Electric Guitar (faixas 1-5, 7), Piano (faixa 6)
Keith Richards: Electric Guitar, Backup Vocals, Bass Guitar (faixas 4, 8), Acoustic Guitar (faixas 4, 6, 8, 9), Piano (faixa 6), Lead Vocal (faixa 8)
Bill Wyman: Bass Guitar, Synthesizer (faixa 4)
Charlie Watts: Drums, Tom-Tom (faixa 10)
Ron Wood: Electric Guitar, Backup Vocals, Pedal Steel Guitar (faixas 2, 6, 8, 10), Acoustic Guitar (faixas 4, 9), Electric Slide Guitar (faixa 8), Bass Guitar (faixa 10), Lead Guitar (faixa 10), Bass Drum (faixa 10)
Ian "Mac" McLagan: Electric Piano (faixa 1), Hammond Organ (faixa 3)
Mel Collins: Sax (faixa 1)
Sugar Blue: Harp (faixas 1, 4)
Disc Two (Bonus Material)
1. Claudine (3:42)
2. So Young (3:18)
3. Do You Think I Really Care (4:22)
4. When You're Gone (3:51)
5. No Spare Parts (4:30)
6. Don't Be A Stranger (4:06)
7. We Had It All (2:54)
8. Tallahassee Lassie (2:37)
9. I Love You Too Much (3:10)
10. Keep Up Blues (4:20)
11. You Win Again (3:00)
12. Petrol Blues (1:35)
Músicas de autoria de Mick Jagger e Keith Richards, exceto "When You're Gone", composta por Mick Jagger, Keit Richards e Ron Wood, "We Had It All", composta por Troy Seals e Donnie Fritts, "Tallahassee Lassie", composta por Slay, Crewe e Picariello, e "You Win Again", composta por Hank Williams.
Créditos:
Mick Jagger: Lead Vocals, Acoustic Guitar (faixas 1, 3, 11), Guitar (faixas 4, 5), Harp (faixas 4, 10), Electric Piano (faixa 5), Tambourine (faixa 5), Percussion (faixa 6), Handclaps (faixa 8), Piano (faixa 12)
Keith Richards: Electric Guitar, Harmony Vocal (faixas 1, 2, 3, 9), Acoustic Guitar (faixas 3, 6, 7), Guitar (faixas 4, 11), Acoustic Piano (faixa 5), Percussion (faixa 6), Lead Vocals (faixa 7), Piano (faixas 7, 9), Electric Piano (faixa 11)
Durante a metade dos anos 70, os Rolling Stones mantiveram a popularidade em alta, porém seu discos ficaram empanados pelo fascínio de Jagger à própria fama e a piora da drogadição de Keith. Em 1978, tanto o punk quanto a música de discoteca haviam varrido o grupo das manchetes, e "Some Girls" foi sua resposta à nova geração. Abrindo com "Miss You", um blues com batida de discoteca, "Some Girls" é um álbum consistente, focado e estimulante, com mais refrões e energia do que qualquer registro fonográfico dos Stones desde "Exile On Main St.".
Ainda que os Stones se aventurem pelo gênero discoteca – à sua maneira –, o punk não cruza o seu caminho. Em vez disso, seus rocks soam cada vez mais pesados e atrevidos, como há muito não se via. Usando "Star Star" (nota minha: canção do disco "Goats Head Soup", de 1973) como modelo, os Stones abordam a desgastada imagem homossexual em "When The Whip Comes Down"; uma bizarra, cáustica e ambígua misoginia é encarada na faixa-título; o último cântico de Keith à proscrição está presente em "Before They Make Me Run", e o tema da decadência surge em "Shattered", música de encerramento. De permeio, eles desconstroem "(Just My) Imagination", da Temptations, soltam a devastadora e maliciosa paródia country "Far Away Eyes" e exteriorizam "Beast Of Burden", uma de suas melhores baladas. "Some Girls" não carrega a agressividade urbana dos discos sessentistas da banda, ou a impactante melancolia, derivada das drogas, dos seus trabalhos do começo da década setentista, todavia a marca do seu brilhante e anárquico rock pesado ainda o torna um álbum definitivo dos Stones (Stephen Thomas Erlewine, AllMusic; tradução livre do inglês).