Banda: Ashton, Gardner & Dyke
Disco: Ashton, Gardner & Dyke [Additional Tracks]
Ano: 1995(*)
Gênero: Blues-Rock, Jazz-Rock, Progressive Pop, Psychedelic Rock
Faixas:
1. Rolling Home (Ashton) 3:31
2. Why Did You Go (Ashton) 2:58
3. The Falling Song (Ashton) 3:30
4. Young Man Ain't Nothing In The World These Days (Allison) 4:04
5. Billy And His Piano Without (Ashton) 4:00
6. Maiden Voyage (Ashton) 3:56
7. New York Mining Disaster 1941 (Barry & Robin Gibb) 5:02
8. Picture Sliding Down The Wall (Ashton) 4:39
9. Billy And His Piano With (Ashton) 3:49
10. Vaggsang (Ashton) 1:38
11. As It Was In The First Place (Ashton) 6:29
Additional Tracks
12. Maiden Voyage [Long Version] [Single A-Side, 1969] (Ashton) 5:23
13. See The Sun In My Eyes [Single B-Side, 1969] (Melouney) 3:26
14. Resurrection Shuffle [Single A-Side, 1970] (Ashton) 3:17
15. Can You Get It [Single A-Side, 1971] (Ashton) 3:32
Créditos (prováveis quanto aos instrumentos, porquanto não especificados no disco; também não há informações, p. ex., sobre os músicos que tocaram metais no álbum):
▷Tony Ashton: Keyboards, Vocals
▷Kim Gardner: Bass
▷Roy Dyke: Drums
Músicos adicionais:
▷Unknown: Horns
(*) LP lançado originalmente em 1970.
Biografia:
Sobreviventes da banda Remo Four, extinta em 1968, o tecladista Tony Ashton e o baterista Roy Dyke uniram-se a Kim Gardner, ex-baixista dos finados grupos Birds e Creation, para formarem a Ashton, Gardner & Dyke, emulando os teclados e o ritmo então revolucionários da Nice. Assinando com a gravadora Polydor Records, a Ashton, Gardner & Dyke estreou no mercado fonográfico, em 1969, com o single adequadamente denominado "Maiden Voyage" e lançando, no ano seguinte, um álbum homônimo – o destaque do disco ficou por conta da versão reformulada de "In The First Place", agora intitulada "As It Was In The First Place". O álbum, contudo, vendeu pouco, mesmo depois de uma turnê na companhia de Delaney & Bonnie. Em 1970, a banda se transferiu para a gravadora Capitol Records.

Ainda em 1970, Ashton figurou entre os músicos que apareceram em "All Things Must Pass", álbum solo triplo de George Harrison, tocando teclados em "Isn't It A Pity". Por alguma razão, ele não foi creditado no disco, mas Harrison lhe retribuiu a gentileza generosamente: juntou-se a Eric Clapton e ambos participaram do segundo álbum da Ashton, Gardner & Dyke, "The Worst Of Ashton, Gardner + Dyke", sob os pseudônimos George O'Hara Smith e Sir Cedric Clayton, respectivamente, na faixa "I'm Your Spiritual Breadman"; Jim Price e Bobby Keys, músicos de turnês de Delaney & Bonnie, também atuaram no disco.
Originalmente programada para ser o próximo single da banda, a música acabou suplantada por "Resurrection Shuffle" ("I'm Your Spiritual Breadman" passou para o lado B do compacto americano). Foi uma jogada inteligente, que resultou num sucesso internacional. Canção crua e barulhenta de R&B, com naipe de metais, "Resurrection Shuffle" atingiu o 3° lugar nas paradas britânicas em janeiro de 1971, seguido por uma posição no Top 40 americano (mereceu até inclusão no repertório de Tom Jones). Seguiu-se o álbum com o mesmo nome da exitosa canção, que, apesar de ter chegado apenas ao 185° lugar nas paradas, caiu no gosto dos apreciadores do rock setentista, bem como dos admiradores de Harrison e Clapton. As prensagens britânicas do disco, por sinal, saíram com o nome "The Worst Of Ashton, Gardner & Dyke", carregando uma pretensa ironia (nota minha: worst significa pior) que talvez tenha provocado seu fracasso nas paradas.

Aproveitando o bom momento, o trio embarcou num período de sólidas apresentações ao vivo – um excelente show dessa época foi captado no disco "Let It Roll Live" (lançado postumamente em 2001). Infelizmente, apesar de "Resurrection Shuffle" ter notabilizado o trio de forma significativa, por incrível que pareça também o enfraqueceu substancialmente. O público queria mais do mesmo; já a banda queria progredir. "O tiro saiu pela culatra", Ashton lamentou anos depois. "Queríamos ser uma banda de álbuns, porém, depois que se obtém um grande sucesso, entra-se na turma do pop", finalizou Ashton. No começo de 1973, o terceto finalmente lançou outro single, "Can You Get It", e alguns observadores – incluindo o próprio grupo – ficaram surpresos pelo fato de o disco ter alcançado pouca repercussão. Aliás, destino semelhante aguardava o terceiro álbum, "What a Bloody Long Day It's Been", culminando com a separação do trio, em meados de 1973.

Ashton e Dyke imediatamente reagruparam a Remo Four para a gravação do álbum "Attention", lançado na Alemanha (uma segunda reunião da Remo Four aconteceu em 1997.) Depois disso, Dyke, junto com Tony Kaye, membro fundador da Yes, formou a Badger, que gravou um disco antes de incorporar às suas fileiras tanto Gardner quanto Jackie Lomax, outro artista fortemente conectado a George Harrison e ex-estrela da gravadora Apple. Quando a Badger se dispersou, Dyke virou músico de estúdio, trabalhando com Chris Barber, Café Society e Pat Travers, antes de ir morar na Alemanha, onde permanece até hoje. Lomax e Gardner continuaram juntos, desta vez no grupo chamado White Lady (nome copiado do segundo álbum da Badger). A nova banda, todavia, rapidamente dissolveu-se, e Gardner se mudou para os Estados Unidos. Ali colaborou com a banda Dwight Twilley Band no disco "Scuba Divers". Mais tarde, Gardner abriu o renomado pub de estilo britânico Cat & Fiddle, em Hollywood, retornando apenas esporadicamente à música (incluindo uma parceria com Mitch Mitchell no encerramento dos anos 90).
Gardner morreu de câncer em 26 de outubro de 2001. Ashton virou músico profissional, tocando com Family, Jerry Lee Lewis, Third World War, Tucky Buzzard, Ian Dury e Kenny Ball, entre outros, e se tornando um ramo crucial da árvore genealógica do conjunto Deep Purple. Mas também sucumbiu ao câncer em 28 de maio de 2001 (Dave Thompson,
AllMusic; tradução livre do inglês).