No ano seguinte, o grupo passou a atuar como banda de apoio de Deacon Jones, um jogador de futebol americano, transformado em cantor, que se apresentava em pequenos bares. Durante uma dessas apresentações, o produtor Jerry Goldstein ("My Boyfriend's Back", "Hang On Sloopy", "I Want Candy") descobriu a banda, recomendando-a a Eric Burdon, ex-vocalista da Animals.
"A primeira vez em que vi alguns dos rapazes que logo formariam a War, eles estavam tocando num bar de
no vale de San Fernando, como grupo de apoio de Deacon Jones, e imediatamente me dei conta quão poderosos eles eram", recorda Goldstein. "Eu era amigo de Eric e estava a ponto de deixar a música e voltar para Newcastle. Estava cansado do rock e desesperado por um som original e autêntico. Eu o chamei na manhã seguinte e lhe pedi para me acompanhar naquela noite ao bar. Eric ficou tão impressionado com o que escutou que subiu ao palco e começou a improvisar com a banda, que se achava tão entretida com sua própria carreira que até então não havia ouvido falar de Eric Burdon ou da Animals. Em uma semana reuni o pessoal no estúdio e o resto é história".
Depois de assistir ao show da Nightshift, Burdon decidiu tomar as rédeas do grupo. A primeira coisa que fez foi dar-lhe um novo nome: War, a par de trocar os dois novos músicos da sessão de metais por um gaitista chamado Lee Oskar.
Com o propósito de desenvolver material novo, a War começou a apresentar-se em longos concertos, com extensas sessões de improvisação, em que Burdon intervinha para incluir letras livremente. Em agosto de 1969, a War entrou em estúdio pelas mãos de Burdon e em 1970 tinham aprontado seu primeiro disco: "Eric Burdon Declares War".
"Spill The Wine", a canção de trabalho, teve um êxito impressionante, chegando rapidamente ao terceiro lugar na lista da Billboard, ao mesmo tempo em que era cantada por todo mundo. O segundo LP, "The Black Man's Burdon", foi colocado à venda antes do final do ano e nele ficava evidente como o grupo improvisava por longos períodos e com bastante liberdade.
O contrato que a War e Burdon firmaram lhes permitiam gravar em selos diferentes, por isso o grupo estava pronto para assinar com a United Artists, com o fim de gravar sozinho, mas sem abandonar Burdon. Porém, em 1971, durante a turnê européia, Burdon separou-se da banda, afirmando que estava cansado. Isso selaria o destino da War.
Desde o princípio, a War era um conceito, um laboratório musical. Na condição de banda de apoio de Burdon, transformou-se na ferramenta para que Goldstein, como produtor e compositor, e Eric Burdon, como cantor, pudessem experimentar uma mistura de variados estilos musicais. "Nesse momento, não pensava na War como uma entidade autônoma. Era uma banda somente para respaldar Eric. Pensei que isso mudaria de acordo com as suas preferências musicais (nota minha: a frase carece de sentido, mas está assim no texto). Resultou que o grupo se converteu num instrumento em permanente evolução, porém sem Eric" (nota minha: o texto não informa quem falou as palavras entre aspas).
O terceiro disco da War, homônimo, mereceu lançamento no início de 1971. Já sem Burdon, o LP constituiu-se no primeiro fracasso da banda. Todavia, antes que o ano terminasse, a banda gravou "All Day Music", que lhe valeu seus primeiros singles nas paradas, de forma independente. O disco vendeu mais de um milhão de cópias e ficou entre os 20 mais comercializados.
"The World Is A Ghetto", de 1972, foi o disco que catapultou a banda para a fama. A harmonia multicultural que servia de base às suas composições colocaram-no no primeiro lugar das paradas de álbuns e ajudou-o a alcançar a marca de 3 milhões de cópias vendidas, tornando-se o disco mais vendido do ano.
Desse disco saíram duas músicas que acabaram virando clássicos: "The Cisco Kid" (que auxiliou a banda a conquistar a comunidade latina) e a balada que dá nome ao disco.
Em 1973, chegou a vez de "Deliver The World", que também vendeu mais de 1 milhão de cópias, além de gerar os sucessos "Gypsy Man" e "Me And Baby Brother". Contudo, não obteve a acolhida que se esperava nas zonas urbanas, que a banda dava como certa. Isso a levou a repensar o seu trabalho e também a decidir para onde deveriam concentrar suas forças. O resultado foi um disco gravado ao vivo durante as quatro apresentações que a banda fez em Chicago em 1974, que a colocou como verdadeiro fenômeno de massa.
Havendo entrando em sintonia com o seu público novamente, "Why Can't Be Friends", de 1975, retornou às raízes musicais do grupo, com um som muito semelhante a "The World Is A Ghetto". O disco manteve o discurso tradicional de tolerância que a banda pregava, e a música que dava nome ao LP era a mostra mais clara disso. O álbum trouxe "Low Rider", uma música carregada de elementos latinos, que alcançou o primeiro lugar nas paradas de R&B e que acabou sendo uma das mais conhecidas da banda.
Um ano mais tarde, a banda lançou o seu disco de grandes sucessos, incluindo a música "Summer", que seria o último single a chegar ao top 10 das paradas pop. Nesse mesmo ano, Oskar lançou seu disco solo, com o respaldo de músicos da Santana.
Em 1977, o grupo produziu um LP duplo ("Platinum Jazz"), com improvisações e músicas instrumentais, pelo selo de jazz Blue Note. O disco converteu-se num dos mais importantes da gravadora, com um single que alcançou as paradas de R&B, chamado "L. A. Sunshine".
Entretanto, a década chegava ao fim e uma geração menos comprometida começava e encher as discotecas para dançar ao ritmo da "disco music". Isso fez com que as pessoas deixassem de lado a War, porque, no gênero pop, reinavam grupos como Abba ou artistas como Donna Summer.
Em 1977, a War assinou com a MCA e gravou "Galaxy", um disco que vendeu bastante, mas cujo êxito limitou-se às paradas de R&B, ainda que a faixa-título tivesse ficado dentro das 40 mais vendidas da parada pop. Seria a última vez que a banda chegaria ao topo.
Logo após gravar "Youngblood", em 1978, o grupo começou a desintegrar-se. Dickerson afastou-se em 1979, enquanto a banda gravava "The Music Band" (um disco que tinha Alice Tweed Smith como vocalista). Pouco depois, Charles Miller morreu assassinado numa tentativa de roubo.
Depois do lançamento do disco, os integrantes remanescentes tentaram enquadrar-se na moda "disco", e para isso trouxeram o baixista Luther Rabb, o percussionista Ronnie Hammon e o saxofonista Pat Rizzo.
"Music Band 2" foi um completo fracasso e quase colocou o grupo na geladeira, fazendo com que Smith decidisse sair. Passaram-se três anos, e, em 1982, ocorreu o lançamento de "Outlaw", que teve um relativo sucesso. O disco apresentou a canção "Cinco De Mayo", que se tornou uma música clássica nos eventos mexicanos nos Estados Unidos.
Apesar disso, a War não voltou a alcançar o status que tinha antes, tendo Rizzo arrumado as malas em 1983, e, logo em seguida, Harold Brown também partiu. Depois veio "Life Is So Strange", que também foi um grande insucesso.
Então a banda decidiu dedicar-se às turnês e somente às turnês, até que, em 1988, Papa Dee Allen morreu no palco, vítima de um aneurisma cerebral. A coluna vertebral do grupo ficou integrada por Jordan, Hammon, Oskar (que sairia em 1992) e Scott.
Conquanto a War não tenha estabelecido conexão com as novas gerações, o seu som permanece atual, porque muitos intérpretes de hip-hop têm usado as músicas da banda como base para as suas canções (
Radio 2; tradução livre do espanhol).