1. Beyond And Before (Squire, Bailey) 4:53
2. I See You (McGuinn, Crosby) 6:49
3. Yesterday And Today (Anderson) 2:49
4. Looking Around (Anderson, Squire) 4:17
5. Harold Land (Anderson, Squite, Bruford) 5:43
6. Every Little Thing (Lennon, McCartney) 5:42
7. Sweetness (Anderson, Squire, Bailey) 4:33
8. Survival (Anderson) 6:19
9. Everydays [Single Version] [Bonus Track] (Stills) 6:21
10. Dear Father [Early Version # 2 Previously Unissued] [Bonus Track] (Anderson, Squire) 5:49
11. Something's Coming [Bonus Track] (Bernstein, Sondheim) 7:07
12. Everydays [Early Version Previously Unissued] [Bonus Track] (Stills) 5:16
13. Dear Father [Early Version # 1 Previously Unissued] [Bonus Track] (Anderson, Squire) 5:29
14. Something's Coming [Early Version Previously Unissued] [Bonus Track] (Bernstein, Sondheim) 8:02
(*) LP lançado originalmente em 1969.
Biografia:
Durante o boom do rock progressivo no início dos anos 70, a Yes competia apenas com Emerson Lake And Palmer e Genesis na definição de um cânone roqueiro baseado na música clássica, originalmente cativante e inovador. A banda se transformou numa grande atração das arenas e desfrutou um sucesso fenomenal até o surgimento do punk e da new wave, em 1977, que então a escantearam. Após se reagrupar nos anos 80, o grupo resistiu a uma série de mudanças de pessoal e conseguiu restabelecer sua popularidade, continuando a gravar e excursionar no novo milênio.

A Yes foi formada em 1968 por Jon Anderson (nome verdadeiro: John Roy Anderson, nascido no dia 25 de outubro de 1944, em Accrington, Lancashire, Inglaterra; vocal) e Chris Squire (nascido no dia 4 de março de 1948, em Kingsbury, Wembley, Londres, Inglaterra [nota minha: e morto no dia 27 de junho de 2015, em Phoenix, Arizona, EUA]; baixo). Ambos tinham tocado em grupos beat sessentistas, notadamente no Warriors e no Syn, respectivamente. Completaram o lineup: Bill Bruford (nome verdadeiro: William Scott Bruford, nascido no dia 17 de maio de 1949, em Sevenoaks, Kent, Inglaterra; bateria), Peter Banks (nome verdadeiro: Peter William Brockbanks, nascido no dia 15 de julho de 1947, em Barnet, Hertfordshire, Inglaterra [nota minha: e morto no dia 7 de março de 2013, em Londres, Inglaterra]; guitarra) e Tony Kaye (nome verdadeiro: Anthony John Selvidge, nascido no dia 11 de janeiro de 1946, em Leicester, Inglaterra; teclado). Em suas primeiras apresentações, a Yes fez a abertura do histórico concerto de despedida da Cream no Royal Albert Hall, em Londres, mas foi o pioneiro disc jockey John Peel que propiciou à banda exposição nacional, abrindo-lhe as portas do seu programa de rádio Top Gear, na BBC. A inventiva versão estendida de "Everydays", da Buffalo Springfield, e o cover beatlesiano "Every Little Thing", a par do primeiro e admirável single, "Sweetness", transformaram a Yes numa das bandas prediletas das casas noturnas em 1969.

"Yes", o primeiro álbum, e "Time And A Word", o segundo, não chamaram muita atenção além do restrito círculo do crescente fã-clube da banda. Após discordar acerca da participação de uma orquestra no segundo LP, Banks foi substituído, na primavera de 1970, pelo virtuoso guitarrista Steve Howe (nome verdadeiro: Stephen James Howe, nascido no dia 8 de abril de 1947, em Holloway, Londres, Inglaterra; ex-Tomorrow), que acrescentou ainda mais complexidade às passagens instrumentais altamente criativas do grupo. E com Howe, a banda passou a despertar grande interesse, alavancando as vendas com o aprimorado e energético "The Yes Album", de 1971. Kaye, um apaixonado pelo órgão Hammond, saiu em seguida (unindo-se, posteriormente, à Flash, na companhia de Banks), entrando no seu lugar o bruxo dos teclados Rick Wakeman (nome verdadeiro: Richard Christopher Wakeman, nascido no dia 18 de maio de 1949, em Perivale, Middlesex, Inglaterra). Wakeman já ganhara fama como membro da banda folk Strawbs. Sua habilidade de improvisação, comparável à de Howe, conduziu o grupo aos caminhos da música clássica, e seus solos tornaram-se cada vez mais longos, embora não raro soassem complacentes.

"Fragile", de 1971, também obteve êxito, e a banda angariou considerável apoio da imprensa musical britânica, especialmente do jornal Melody Maker. Aliás, "Fragile" se tornou um marco, porque deu início a uma série de capas criadas por Roger Dean e inspiradas no mundo fantástico do escritor John Ronald Reuel Tolkien, integradas ao logotipo da Yes com caligrafia personalizada. O álbum rendeu um hit inesperado nos Estados Unidos, "Roundabout", que quase chegou ao Top 10 do Reino Unido em 1972. Pouco depois, Bruford partiu, sendo substituído por Alan White (nascido no dia 14 de junho de 1949, em Pelton County, Durham, Inglaterra). No apagar das luzes de 1972, a Yes lançou o disco que atualmente se afigura como seu melhor trabalho, "Close To The Edge". A maioria das quatro suítes do álbum são instrumentais, permitindo que a música predomine sobre as letras por vezes pretensiosamente abstratas de Anderson. O instrumento de Squire se apresenta magnífico em "Close To The Edge", e o contrabaixista, velozmente, se tornou um campeão das pesquisas dos periódicos de música. Para muitos, o ápice instrumental alcançado em "Close To The Edge" definiu toda a proposta da banda: equilíbrio entre melodia e (impressionante) habilidade instrumental, rock e (engenhosa) improvisação.

Agora a Yes era uma grande banda, e, confiando no seu novo status, lançou o LP triplo "Yessongs", gravado ao vivo, seguido pelo LP duplo "Tales From Topographic Oceans", demasiado longo e despojado. Os dois fizeram sucesso: "Tales From Topographic Oceans", inclusive, chegou ao 1° lugar das paradas do Reino Unido. Artisticamente, porém, a banda começou a declinar. Wakeman se retirou, disposto a seguir carreira solo (triunfante, por sinal). Para o seu posto, ingressou Patrick Moraz (nascido no dia 24 de junho de 1948, em Villars-Ste-Croix, Morges, Suíça; ex-Refugee), que manteve a orientação clássica fomentada por Wakeman. Após "Relayer", de 1974, a Yes se fragmentou para atender a projetos individuais dos seus integrantes, se bem que nenhum chegou perto de Wakeman, que estava tendo mais sucesso do que o grupo na ocasião. Quando a banda se reuniu novamente, Wakeman voltou no lugar de Moraz, desenvolvendo dupla carreira. Em "Going For The One", de 1977, o alto astral ficou em baixa, assinalando o retorno do grupo ao universo da música roqueira. Outro single de sucesso, "Wonderous Stories", alcançou o Top 10 do Reino Unido em 1977, no auge da era punk. Pelas suas características, a Yes era um anátema para a new wave, e enquanto seus numerosos admiradores compravam o fraco "Tormato", de 1978, sua credibilidade despencava. Problemas internos também abundaram, resultando na segunda saída de Wakeman, imediatamente seguido por Anderson. Espantosamente, seus substitutos foram Trevor Horn (nascido no dia 15 de julho de 1949, em Durham, Inglaterra; vocal) e Geoff Downes (nome verdadeiro: Geoffrey Downes, nascido no dia 25 de agosto de 1952, em Stockport, Cheshire, England; teclado), que, formando o duo Buggles, lideraram as paradas do Reino Unido do ano anterior com a canção "Video Killed The Radio Star". Esse bizarro casamento durou um ano, gerando, em 1980, o disco longo "Drama" (2° lugar nas paradas do Reino Unido), antes da Yes finalmente dizer "chega" e se separar em 1981.

Todos os membros da banda abraçaram carreiras solos vitoriosas. Howe e Downes se juntaram ao supergrupo Asia. Assim, foi uma surpresa, em 1983, encontrar a Yes reformada (Anderson, Kaye, Squire, White e o guitarrista sul-africano Trevor Rabin [nome verdadeiro: Trevor Charles Rabinowitz, nascido no dia 13 de janeiro de 1955, em Joanesburgo, África do Sul]) e liderando a parada de singles do Reino Unido através do excelente "Owner Of A Lonely Heart", produzido por Trevor Horn. O LP subsequente, "90125", de 1983, apresentou uma banda rejuvenescida, interpretando curtas canções pop contemporâneas, que combinavam com a sonoridade da moda dos anos 80. Após uma pausa de quatro anos, veio, em 1987, o desarmônico "Big Generator", e, em 1989, saiu "Anderson, Bruford, Wakeman, Howe", por iniciativa de quatro membros da Yes durante uma longa disputa judicial. A banda não podia usar o nome Yes, então resolveu lançar a compilação "Affirmative"; Anderson, Howe, etc. tocaram "An Evening Of Yes Music" (usando, espertamente, o famoso logo da banda).

Resolvido o problema de propriedade do nome, a Yes anunciou uma megaturnê em 1991, e o múltiplo lineup, abrangendo Anderson, Howe, Wakeman, Squire, Kaye, White, Rabin e Bruford, atingiu mais uma vez o Top 10 americano com o novo álbum, "Union", de 1991. "Talk", o disco de 1994, gravado por Anderson, Kaye, Squire, Rabin e White, mesmo não tendo vendido bem, foi um álbum cintilante e cheio de energia, contendo duas faixas fora de série: "The Calling" e "I Am Waiting". Dois discos de concertos foram lançados em meados dos anos 90 e, conquanto bem gravados, não conseguiram penetração fora do âmbito restrito da irmandade Yes. Wakeman, àquela altura, já havia partido novamente, agora por causa de sua saúde, não sem antes jurar que seria a última vez. Seu substituto, o jovem russo Igor Khoroshev (nascido no dia 14 de julho de 1965, em Moscou, Rússia), completou, ao lado de Anderson, Howe, Squire e White, o desapontador "Open Your Eyes", de 1997. A gravação do disco seguinte, "The Ladder", restou prejudicada pela morte do produtor Bruce Fairbairn. O álbum repetiu o apelo comercial de "Close To The Edge", e, malgrado as letras "cósmicas" de Anderson permanecessem irritantes, as canções apresentavam vigorosas melodias. Foi o álbum mais acessível da Yes durante vários anos. O próximo, "Magnification", converteu-se no primeiro disco sem tecladista depois que Khoroshev deixou o grupo. Wakeman confirmou, em 2002, que retornaria à banda para performances ao vivo.

As idas e vindas da banda oferecem uma leitura fascinante, e Chris Welch, ex-editor do Melody Maker, escreveu a crônica definitiva do grupo. Welch paparicou a Yes desde o primeiro dia e documentou com precisão cada movimento da banda. Ao longo dos anos, a mídia musical ridicularizou a Yes simplesmente pelo fato de ter sido a banda pioneira do cenário roqueiro progressivo grandiloquente. Embora alguns julgamentos sobre os seus discos conceituais agora pareçam equivocados (principalmente o atribuído ao álbum "Tales From Topographic Oceans"), a verdade é que tais opiniões desempenharam um importante papel para a avaliação do trabalho do grupo. Só que, em variadas oportunidades, os cínicos analistas simplesmente "esqueceram" o alto padrão musical desenvolvido pela Yes. Os diversos guitarristas e tecladistas, os dois excepcionais bateristas, e Chris Squire, o mago baixista, sempre sustentaram, individual ou coletivamente, a brilhante usina sonora da banda (The Encyclopedia Of Popular Music. Compiled and edited by Colin Larkin. New York: Omnibus Press, 2007, pp. 1536-7; tradução livre do inglês).