Gênero: Blues-Rock, Hard Rock, Latin Rock, Jazz-Rock, Jazz-Fusion
Disco: Abraxas [Bonus Tracks]
Ano: 2001(*)
Faixas:
1. Singing Winds, Crying Beasts (Carabello) 4:51
2. Black Magic Woman (Green)/Gypsy Queen (Szabo) 5:20
3. Oye Como Va (Puente) 4:19
4. Incident At Neshabur (Gianquinto, Santana) 5:00
5. Se A Cabo (Areas) 2:52
6. Mother’s Daughter (Rolie) 4:28
7. Samba Pa Ti (Santana) 4:47
8. Hope You’re Feeling Better (Rolie) 4:17
9. El Nicoya (Areas) 1:39
10. Se A Cabo [Recorded Live at The Royal Albert Hall, April 18, 1970] [Previously Unreleased] [Bonus Track] (Areas) 3:47
11. Toussaint L’Overture [Recorded Live at The Royal Albert Hall, April 18, 1970] [Previously Unreleased] [Bonus Track] (Santana, Rolie, Areas, Brown, Carabello, Shrieve) 4:52
12. Black Magic Woman/Gypsy Queen [Recorded Live at The Royal Albert Hall, April 18, 1970] [Previously Unreleased] [Bonus Track] (Green/Szabo) 4:58
Tower Of Power Horn Section: Horns (Disc One, faixa 5)
Luis Gasca: Trompeta (Disc 1, faixa 9)
Linda Tillery: Background Vocals (Disc One, faixas 5, 8)
Mario Ochoa: Piano (Disc One, faixa 6)
Greg Errico: Tambourine (Disc One, faixa 2)
(*) LP lançado originalmente em 1971.
Biografia:
Essa fundamental banda americana foi pioneira do rock afro-latino, e, mesmo assim, continua pairando acima de todos os praticantes do gênero. Formada em 1966, rapidamente transcendeu o cenário psicodélico do final dos anos 60 em São Francisco, Califórnia, da qual brotou, e, ao longo dos últimos 25 anos, incorporou o jazz e o funk na sua inconfundível mistura de música polirrítmica, pelas mãos do guitarrista Carlos Santana (nascido no dia 20 de julho de 1947, em Autlan de Navarro, Jalisco, México). Carlos detém os direitos do nome, e conseguiu exercer sua liderança mesmo diante de uma constante mudança de pessoal, mantendo intocado, outrossim, o mesmo som de 1967. O lineup original compreendia Gregg Rolie (teclados e vocais), Michael Shrieve (nascido no dia 6 de julho de 1949, em São Francisco, Califórnia, EUA; bateria), David Brown (nascido no dia 15 de fevereiro de 1947, em Nova Iorque, EUA), Marcus Malone e Mike Carabello. Mais tarde, sobressaíram-se Neal Schon (nascido no dia 27 de fevereiro de 1954, em São Mateo, Califórnia, EUA), José Chepito Areas, Tom Coster, Armando Peraza, Raul Rekow, Graham Lear, Orestes Vilató e Coke Escovedo.
Em 1969, a Santana virou a banda predileta da região, e Carlos teve uma participação proeminente no disco “The Live Adventures Of Al Kooper And Mike Bloomfield”, de Al Kooper e Mike Bloomfield. A aparição no inovador Festival de Woodstock, realizado no mesmo ano, representou um significativo progresso para o grupo. Sua performance deu aos fãs do rock a primeira amostra do “rock cubano”, com destaque para a obra-prima “Soul Sacrifice”. Assinando com a Columbia Records, os três primeiros álbuns da banda foram excelentes exemplos do gênero. “Santana”, de 1969, “Abraxas”, de 1970, e “Santana III”, de 1971, permaneceram vários meses roçando o topo das paradas americanas, sendo que o segundo e o terceiro álbuns estacionaram no 1° lugar durante muitas semanas. Os três discos apresentaram numerosas canções memoráveis e arrasadoras: “Jingo”, “Evil Ways” (9° lugar, EUA, janeiro 1970), uma versão definitiva de “Black Magic Woman”, de Peter Green (4° lugar, EUA, novembro de 1970), “Oye Como Va”, de Tito Puente (13° lugar, EUA, fevereiro de 1971), “Everybody's Everything” (12° lugar, EUA, outubro de 1971) e “Samba Pa Ti”, possivelmente a música instrumental roqueira mais sensual de todos os tempos; nela, Carlos realiza um solo que transpira sexualidade, tendo ao fundo uma lasciva batucada latina, rumo ao inevitável clímax. “Caravanserai”, de 1972, assinalou uma mudança de estilo após a dissolução do lineup original (Rolie e Schon saíram para formar a Journey). Essencial, “Caravanserai” contém quase uma única suíte, exibindo um movimento em direção ao jazz à maneira de Miles Davis em “In A Silent Way”. Naquela época, Carlos se tornou discípulo de Sri Chimnoy, e, depois de ficar amigo do guitarrista John McLaughlin, ambos lançaram o glorioso “Love Devotion And Surrender”. Ainda em 1972, Carlos editou um disco gravado ao vivo com o baterista Buddy Miles. “Welcome”, de 1973 (apresentando o vocalista Leon Thomas e o convidado McLaughlin), e “Borboletta”, de 1974 (trazendo os convidados Flora Purim e Stanley Clarke) foram álbuns menores. O guitarrista retornou ao rock latino energético com o excelente “Amigos”, de 1977. Também em 1977, o single “She’s Not There”, cover da Zombies, alcançou o 11° lugar nas paradas do Reino Unido em outubro.
Em sua carreira solo concomitante, Carlos adotou o estilo jazz-fusion, através de uma série de refinados álbuns, notadamente “The Swing Of Delight”, de 1980, com Herbie Hancock e Wayne Shorter. “Zebop!”, da Santana, lançado em 1981, foi uma obra-mestra; a guitarra de Carlos exibiu uma leveza não ouvida desde os álbuns iniciais. O single de sucesso de “Zebop!” recaiu em “Winning”, composta por Russ Ballard. “Havana Moon”, disco solo de Carlos, contou com os convidados Willie Nelson e Booker T. Jones. Mas há pouca diferença entre a trajetória da banda e a carreira individual de Carlos, pois o guitarrista sempre demonstrou personalismo nas duas situações. “Beyond Appearances”, de 1985, assegurou a considerável produção fonográfica da banda. Carlos, no mesmo ano, excursionou ao lado de Bob Dylan para uma extasiada plateia. O guitarrista também gravou uma participação na trilha sonora do filme “La Bamba”, de 1987. O grupo, por sua vez, se reuniu com Buddy Miles para a gravação de “Freedom”, de 1987. Em 1989, a contribuição de Carlos e da banda na faixa-título de “The Healer”, magnífico trabalho de John Lee Hooker, foi, possivelmente, o ponto alto do disco; Carlos apresentou um solo de guitarra bastante disperso, mas de tirar o fôlego. Durante o verão de 1993, a banda excursionou pela América do Sul e também lançou “Sacred Fire”, um álbum gravado ao vivo. Simultaneamente, Carlos criou sua própria gravadora, Guts And Grace, que começou editando uma coletânea de clássicas performances ao vivo de Jimi Hendrix, Bob Marley e Marvin Gaye, entre outros músicos. No ano de 1994, a Santana se apresentou no Woodstock II, reacendendo lembranças de seu incendiário show no festival primitivo. A formação do grupo, em 1995, tinha Tony Lindsay como vocalista.
Qualquer associação com o nome Santana segue positiva; quer fronteando a banda, quer em carreira solo, Carlos Santana é uma figura relevante da música roqueira, tendo inspirado incontáveis guitarristas novatos. Recentes compilações, como “Dance Of The Rainbow Serpent”, de 1995, e “Live At The Fillmore”, de 1997, enfatizam a constante influência do músico e sua consistência ao longo de quatro décadas. A Billboard lhe concedeu, em 1996, o prêmio Century (nota minha: no original, consta o prêmio Lifetime Achievement, mas Carlos Santana só o recebeu em 2009).
Depois de quase 30 anos na Columbia Records, o guitarrista transferiu-se para a Arista Records, em 1999, gravando, em seguida, o aclamado “Supernatural”, contendo o sucesso “Smooth” (1° lugar nas paradas americanas) – cantada por Rob Thomas, vocalista da Matchbox 20, o single conservou-se no topo da parada da Billboard por 12 semanas – e “'Put Your Lights On” (com Everlast). “Supernatural” vendeu mais de 11 milhões de cópias nos Estados Unidos, no início do novo milênio, e mais de 25 milhões no mundo todo. Na esteira de “Smooth”, “Maria Maria”, com o grupo Product G&B, subiu ao pódio das paradas de singles americanas em abril. O êxito sem precedentes de “Supernatural” propiciou ao guitarrista (nota minha: ou à banda, porquanto, àquela altura, já era impossível separar as carreiras do grupo e do músico, inclusive pela homonímia) faturar nove prêmios Grammy em 2000. O tão aguardado álbum subsequente, “Shaman”, de 2002, trouxe outro conjunto de convidados, cabendo mencionar Chad Kroeger, da Nickelback, Dido, P.O.D., Macy Gray e Michelle Branch. O álbum foi creditado à Santana, mas tinha mais pinta de um empreendimento comercial do que um verdadeiro disco da banda. Seja como for, “Shaman” estreou na parte de cima das paradas ianques em novembro de 2002 (The Encyclopedia Of Popular Music. Compiled and edited by Colin Larkin. New York: Omnibus Press, 2007, p. 1224; tradução livre do inglês).
13. Fried Neck Bones And Some Home Fries (Lastie, Correa) 7:13
Créditos:
Carlos Santana: Guitar, Vocals
Mike Carabello: Congas, Percussion
Dave Brown: Bass
Jose Chepito Areas: Timbales, Congas, Percussion
Mike Shrieve: Drums
Gregg Rollie: Piano, Organ, Vocals
(*) LP lançado originalmente em 1969.
Resenha:
O primeiro disco da Santana seguiu de perto as pegadas da energética apresentação do sexteto no festival de Woodstock, no qual a multiétnica e intrépida banda de São Francisco, Califórnia, EUA, quase roubou a cena dos medalhões Grateful Dead e Sly And The Family Stone.
O álbum, homônimo, é uma incessante arremetida rítmica de trinta e sete minutos: os percussionistas (nota minha: no original, "hand percussionists", expressão intraduzível, conceituando os percussionistas que tocam apenas com as mãos, sem usar baquetas) Mike Carabello e Chepito Areas duelam com o incansável baterista Michael Shrieve, Gregg Rollie arrasa no órgão Hammond e Carlos Santana sola a guitarra com paixão e surpreendente delicadeza. No sucesso "Evil Ways", a única canção convencional do LP (as demais foram sugadas para dentro da correnteza de jams tipificadas em "Jingo" e "Soul Sacrifice"), Gregg deixa rolar solto seu Hammond. O relançamento do disco, em dois CDs, vem reforçado com várias faixas extras; a bonificação mais atrativa contempla a participação da banda no festival de Woodstock. Ao vivo ou no estúdio, tudo isso soa tão maravilhoso quanto o som que o grupo apresentou no verão de 1969 (Bud Scoppa, Rolling Stone; tradução livre do inglês).
(*) Gravado ao vivo no Fillmore West Festival, em São Francisco, Califórnia, EUA, no mês de dezembro de 1968.
Resenha:
Um CD duplo, registrando as performances da banda no Fillmore West, em dezembro de 1968, com uma formação incipiente, incluindo Bob Livingston na bateria e Marcus Malone nas congas (ambos permaneceram até o grupo gravar seu primeiro disco, em 1969).
A banda soa um pouco mais experimental aqui, em comparação ao seu desempenho no tempo de Woodstock, tocando vários sucessos do seu álbum de estreia ("Jingo, "Persuasion", "Soul Sacrifice" e "Treat"). Mais interessante para os colecionadores são as cinco músicas que não apareceram anteriormente em qualquer gravação da Santana, incluindo covers de canções dos jazzistas Chico Hamilton e Willie Bobo e uma jam original de meia hora que encerra o disco, "Freeway". O som é excelente e os arranjos um pouco mais improvisados do que aqueles registrados depois em estúdio. Seu apelo não se limita apenas aos fãs incondicionais; por si só, é um lançamento muito bom, destacando-se algumas interações quentes entre órgão e guitarra, em particular (Richie Unterberger, AllMusic; tradução livre do inglês).