quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Love - Love [Bonus Tracks]

Banda: Love
Disco: Love [Bonus Tracks]
Ano: 2001(*)
Gênero: Garage Rock, Psychedelic Rock
Faixas:
1. My Little Red Book (Bacharach, David) 2:38
2. Can't Explain (Lee, Echols, Fleckenstein) 2:41
3. A Message To Pretty (Lee) 3:13
4. My Flash On You (Lee) 2:09
5. Softly To Me (MacLean) 2:57
6. No Matter What You Do (Lee) 2:46
7. Emotions (Lee, Echols) 2:01
8. You I'll Be Following (Lee) 2:26
9. Gazing (Lee) 2:42
10. Hey Joe (Roberts) 2:42
11. Signed D.C. (Lee) 2:47
12. Colored Balls Falling (Lee) 1:55
13. Mushroom Clouds (Lee, Echols, Forssi, MacLean) 2:25
14. And More (Lee, MacLean) 2:57
15. N° 14 [Single B-Side, 1966] [Bonus Track] (Lee) 1:46
16. Signed D.C. [Alternate Version] [Bonus Track] (Lee) 2:49
Créditos:
Arthur Lee: Lead Vocals, Percussion, Harmonica, Drums ("Can't Explain", "No Matter What You Do", "Gazing", "Mushroom Clouds", "And More")
Johnny Echols: Lead Guitar
Bryan MacLean: Rhythm Guitar, Vocals, Lead Vocals ("Softly To Me", "Hey Joe")
Ken Forssi: Bass
Alban "Snoopy" Pfisterer: Drums
John Fleckenstein: Bass ("A Message To Pretty", "My Flash On You")
Don Conka: Drums ("A Message To Pretty", "My Flash On You")
(*) LP lançado originalmente em 1966.
http://tinyurl.com/ns5v972
Biografia:
Para muitos, a Love foi o grupo decano do rock progressivo de Los Angeles dos anos 60, brilhantemente errático e realizador de um dos mais belos discos de todos os tempos: "Forever Changes". A banda nasceu dos despojos da Grass Roots, em 1965, e compreendia Bryan MacLean (nascido em 25 de setembro de 1946, em Los Angeles, California, EUA, e morto em 25 de dezembro de 1998, em Los Angeles, California, EUA; guitarra e vocais), ex-gerente de turnês da Byrds, Arthur Lee (nome verdadeiro: Arthur Porter Taylor, nascido em 7 de março de 1945, em Memphis, Tennessee, EUA, e morto em 3 de agosto de 2006, em Memphis, Tennessee, EUA; guitarra e vocais) e John Echols (nascido em Memphis, Tennessee, EUA; guitarra). Don Conka (bateria) e John Fleckenstein foram logo substituídos por Alban "Snoopy" Pfisterer (nascido na Suíça) e Ken Forssi (nascido em Cleveland, Ohio, EUA, e morto em 5 de janeiro de 1998, nos Estados Unidos), ex-Surfaris.
A Love se tornou a primeira banda roqueira contratada pela expandida Elektra Records, ganhando da Doors por poucos meses. Seu primeiro single continha um cover de "My Little Red Book", de Burt Bacharach e Hal David, num formato diferente do arranjo original. A banda transformou-se numa sensação instantânea no cenário das casas noturnas de Los Angeles: abusada, estridente, inovadora e chapada. "Seven & Seven Is", arrebatadora e energética, surgiu no verão de 1966 e converteu-se no segundo sucesso do grupo. Ocorreram então mudanças no lineup: ingressaram o baterista Michael Stuart (ex-Son Of Adam) e o flautista e saxofonista Tjay Cantrelli (nome verdadeiro: John Berberís), e Pfisterer passou a tocar cravo e órgão. "The Castle", do álbum "Da Capo", sinalizou novas tendências, embora canções compostas com técnica e formosura, como "Orange Skies" e "Stephanie Knows Who", também mostrassem vigor. Para a maioria do público, "Revelation", a faixa que ocupa todo o lado 2 do LP, revelou-se um experimento bastante arrogante, um desperdício de tempo que prejudicou a grande potencialidade do disco.
Mas a entrada da Love nos livros de história deve-se à impressionante guinada ocorrida com "Forever Changes", gravado sem os debandados Pfisterer e Cantrelli. Passados 35 anos, a obra-prima da banda ainda é encontrada nas listas dos álbuns recomendados pela maioria dos críticos musicais, e nenhum discófilo exigente costuma dispensá-la. No livro "All Time Top 1000 Albums" (nota minha: de Colin Larkin), "Forever Changes" galgou posições e atualmente situa-se em 12° lugar. É uma suíte insuperável de canções, delicada, cáustica e apinhada de surpresas. Combina ocasionais e ácidos solos de guitarra com aprazíveis dedilhamentos acústicos, a par de ser inundado por soberba orquestração, com metais e cordas, e letras surreais. O consumado disco marcou o fim da parceria de Arthur Lee e Bryan MacLean. Seguiu-se um período improdutivo, com apenas o lançamento do excelente single "Laughing Stock/Your Mind And We Belong Together", destinado a aplacar os fãs desesperados por mais "Forever Changes".
Uma nova Love, com Lee, Frank Fayad (baixo), Jay Donnellan (guitarra) e os tambores pirotécnicos de George Suranovich e Darren Theaker, gravou os discos "Four Sail" (pela Elektra) e "Out Here" (pela Blue Thumb Records), contendo raros lampejos da magia de "Forever Changes", mas ambos ⏤ e sobretudo "Out Here" ⏤ decepcionaram. "Four Sail" destaca-se pela formidável bateria de Suranovich e contém três gemas: "August", "Robert Montgomery" e "I'm With You". "False Start", gravado por Lee, Fayad, Suranovich, Nooney Rickett (guitarra rítmica e vocais) e Gary Rowles (guitarra), apresentou alguns momentos memoráveis, entre os quais o solo de guitarra de Jimi Hendrix em "The Everlasting First", mas o resto do disco é bastante desagradável. Lee lançou o álbum solo "Vindicator", em 1972, previamente à reativação da Love para o inoportuno "Reel To Real".
Uma velha teoria, sustentando que Lee adoecera devido à ingestão de variados produtos químicos, ganhou reforço ao longo das décadas subsequentes, mediante a divulgação de diversos casos envolvendo seu comportamento imoderado e excêntrico. Suas performances, com o passar do tempo, mostraram-se irregulares: passou a tocar pseudofunk e longos improvisos inspirados em Hendrix, enquanto as plateias continuavam suspirando por "Forever Changes". Muitas tentativas de ressuscitar a carreira de Lee tropeçaram, embora o entusiasmo demonstrado sobre qualquer novidade envolvendo a sua pessoa. Assim como Brian Wilson, Syd Barrett e Alexander "Skip" Spence, Lee foi outro gênio rebelde, que costuma ser rotulado como um pirado incorrigível. Em 1996, rumores insinuavam que Lee e Johnny Echols, ex-membro da Love, estavam trabalhando juntos novamente. Posteriormente, ainda no mesmo ano, noticiou-se que Lee sofria do mal de Parkinson. A revelação mais bombástica, porém, dava conta que Lee fora condenado a 8 anos de prisão por posse ilegal de arma de fogo (sua soltura ocorreu em dezembro de 2001).
A obra-mestra de Lee, "Forever Changes", ressurgiu em 2001, com faixas extras e o lendário single "Laughing Stock/Your Mind And We Belong Together". Como recompensa, a excelente remasterização ganhou uma extraordinária cobertura na mídia musical; sem nenhuma surpresa, o disco introduziu-se nas paradas do Reino Unido durante uma semana e rapidamente vendeu mais de 60.000 cópias. O magnífico legado da Love é um álbum tão fundamental quanto "Pet Sounds", "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band" e "Kind Of Blue".
Após ser libertado da cadeia, debateu-se a possibilidade de Lee excursionar novamente. A ideia era fazê-lo tocar "Forever Changes" na íntegra, acompanhado por uma orquestra. Antes, Lee executara ao vivo apenas algumas canções do afamado disco. O sucesso da turnê e dos concertos em 2002, que se repetiram durante os três anos seguintes, demonstrou a genialidade do disco e também premiou Lee, permitindo-lhe usufruir do apreço e da paparicação dos seus devotados admiradores. Em 2004, Johnny Echols, guitarrista original da Love, juntou-se à banda de apoio de Lee, que também contava com membros da Baby Lemonade, grupo neo-psicodélico de Los Angeles. No ano subsequente, uma singular decisão determinou o afastamento do frontman da Love, supostamente em razão do seu declínio físico e mental, alegado pelos outros integrantes da banda. Em abril de 2006, Lee revelou que estava com câncer. Sua morte, em agosto do mesmo ano, desencadeou múltiplos tributos, a maioria concentrada em sua magnífica e duradoura herança: o soberbo "Forever Changes" (The Encyclopedia Of Popular Music. Compiled and edited by Colin Larkin. New York: Omnibus Press, 2007, pp. 875-6; tradução livre do inglês).



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