domingo, 5 de janeiro de 2014

The Velvet Underground - Live At Max’s Kansas City [Deluxe Edition]

Cover
Banda: The Velvet Underground
Disco: Live At Max’s Kansas City [Deluxe Edition]
Ano: 2004(*)
Gênero: Alternative Rock, Experimental Rock
Músicas:
Disc One
1. I'm Waiting For The Man (5:51)
2. White Light/White Heat (6:07)
3. I'm Set Free (5:33)
4. Sweet Jane [Version 1] (6:18)
5. Lonesome Cowboy Bill [Version 1] (4:41)
6. New Age (6:45)
7. Beginning To See The Light (5:50)
Disc Two
1. Who Loves The Sun (2:17)
2. Sweet Jane [Version 2] (5:58)
3. I'll Be Your Mirror (3:02)
4. Pale Blue Eyes (7:10)
5. Candy Says (5:49)
6. Sunday Morning (3:48)
7. After Hours (2:50)
8. Femme Fatale (4:07)
9. Some Kinda Love (11:22)
10. Lonesome Cowboy Bill [Version 2] (4:57)
11. Atlantic Release Promo [Radio Commercial For The Album] (0:49)
Músicas de autoria de Lou Reed, exceto "Sunday Morning", composta por Lou Reed e John Cale.
Créditos:
Sterling Morrison: Lead Guitar, Rhythm Guitar
Lou Reed: Lead Vocals, Rhythm Guitar
Doug Yule: Bass Guitar, Backing Vocals, Lead Vocal on "I'm Set Free", "Lonesome Cowboy Bill", "Who Loves The Sun", "I'll Be Your Mirror", "Candy Says" and "New Age"
Billy Yule: Drums
(*) Disco lançado originalmente em 1972, com 10 faixas.

Biografia:
Os caminhos desbravados pelos Velvet Underground nos campos do rock são ainda hoje uma referência incontestável na evolução mais recente da música moderna. No final dos anos 60, no entanto, nunca viram reconhecido o seu verdadeiro valor. Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker construíram algumas das criações mais invulgares do rock, e são no presente reconhecidos como verdadeiros mestres na arte da experimentação mais bem conseguida.
O encontro que proporcionou a formação da banda ocorreu quando Lou Reed e John Cale se cruzaram nos estúdios da Pickwick Records, em Nova Iorque. Enquanto Reed nutria desde há muito uma preferência clara pelo rock'n'roll, onde aliás tinha já tido breves experiências, Cale, um galês com uma formação musical clássica, sentiu uma curiosidade particular pelo rock desde que se mudou para os Estados Unidos. A reunião de ambos proporcionou uma troca de experiências particular, sendo que ambos eram músicos em pleno, pois tocavam desde o baixo ao orgão. O desejo de comporem e de tocarem juntos levou-os a reunirem-se aos The Primitives. A experiência originou apenas um single da autoria de Lou, com o título "The Ostrich" e lançado no catálogo da Pickwick.
13Os Velvet Underground foram oficializados em 1965, na altura com Sterling Morrison e com o baterista Angus MacLise, para além de Reed e Cale. A entrada de Maureen Tucker proporcionou-se depois da saída de MacLise, ocorrida passado pouco tempo. A música dos Velvet era então marginal, ao não cativar grandes audiências, devido aos sons experimentais e às letras pouco convencionais, focando os aspectos menos luminosos de uma sociedade pouco receptiva aos relatos da sua podridão. Mas, foi ainda em 65 que Andy Warhol teve a oportunidade de assistir a um concerto do grupo, tornando-se desde logo o manager e o verdadeiro guru dos nova iorquinos.
O álbum de estreia apareceu em 1966, com a participação acrescida de Nico, uma cantora europeia que apresentou a sua voz em três dos temas. "The Velvet Underground & Nico" em breve adquiriu um estatuto de culto, reconhecido por uma ínfima minoria de público, mas considerado ainda hoje como uma das obras primas do rock. Temas como "Heroin", "Venus In Furs" ou "Femme Fatale" são hoje autênticos clássicos. Contudo, o êxito comercial nunca foi conseguido, afirmando mais ainda o carácter marginal do agrupamento.
12A saída de Nico, que aliás nunca tinha sido bem recebida no seio da banda, consumou-se em 67. Ao mesmo tempo, a dedicação de Andy Warhol aos Velvet foi, aos poucos, sendo cada vez mais espaçada. Uma digressão pelos Estados Unidos foi a solução encontrada para dar continuidade ao projecto. "White Light/White Heat", o segundo conjunto de originais foi editado ainda nesse ano, e cotou-se como sendo mais uma sessão experimental liderada por Lou Reed. O trabalho dos Velvet continuou a explanar os ritmos mais ousados e as letras mais radicais, dissecando declaradamente temas como as drogas ou o sexo.
A sintonia dentro do grupo, em parte devido aos fracos resultados comercias, começou a faltar. A banda foi então abalada com o conflito latente entre Reed e Cale. A saída de John acabou por acontecer pouco depois, sendo o músico substituído por Doug Yule. O terceiro álbum dos Velvet saiu para o mercado um ano depois, em 1969. O auto-intitulado "The Velvet Underground" mostrou composições bem menos experimentais, cotando-se como um trabalho dentro do género do rock mais convencional. Um novo conflito, desta feita com a editora MGM originou a mudança de rumo para os Velvet. O trabalho continuou, mas a edição das faixas então gravadas ficou destinada a ser feita décadas mais tarde.
15O começo dos anos 70 ficou marcado por novas mudanças. A gravação do quarto registo do agrupamento contou com a participação de Billy Yule, irmão de Doug, devido à gravidez de Maureen Tucker. "Loaded", editado em 1970, foi o último trabalho de originais dos Velvet. No verão desse ano, Reed saiu, deixando a banda verdadeiramente órfã. O disco, com composições claramente rock, trouxe consigo mais uma série de faixas clássicas, como "Sweet Jane" ou "Rock And Roll".
A continuidade dos Velvet deixou de fazer sentido após a saída de Reed. Mais tarde, com a percepção disso mesmo, Sterling Morrison e Tucker abandonaram também a formação. Yule decidiu então ficar com o nome do agrupamento, chegando mesmo a editar um álbum, "Squeeze", que ainda hoje não é considerado como um autêntico trabalho da banda.
Os Velvet Underground voltariam a reunir-se em 1993, para a realização de vários concertos, na Europa e nos Estados Unidos, e consequentemente para a concretização de um álbum ao vivo. Apesar de tudo, esta reunião não teve a recepção esperada e teve um fim brusco, após novo conflito entre Reed e Cale. A morte de Sterling Morrison dois anos depois, parece ter inviabilizado em definitivo quaisquer novas iniciativas nesse sentido. As carreiras a solo de Reed e de Cale, mas também de Nico, que faleceu em 1988, parecem ainda assim ser a melhor herança dos Velvet Underground (Mário Mesquita Borges, Rádio M80; português lusitano).

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